Empresas e empresários vivem atrás de alternativas para reduzir custos e, de quebra, contribuir para melhorar a sociedade.

Markenson Marques *

Como empresário do setor de transporte de cargas, defendo uma medida muito simples e prática, que pode trazer resultados imediatos. Não depende de redução ou aumento de impostos, não precisa mexer no orçamento, enfim: só precisa ter um pouco de vontade política.

Estou falando da implantação do frete eletrônico e da nota fiscal eletrônica. Essa resolução trará muitos benefícios, não apenas para o setor de transporte de cargas, mas para toda a sociedade. Para o transportador, a proposta representa economia de recursos sob vários aspectos. Em primeiro lugar, o motorista não terá mais que se deslocar até a filial da empresa. A ordem de coleta poderá ser emitida eletronicamente, de maneira bastante simples e rápida. Com isso, a viagem fica mais curta, o motorista fica mais tranqüilo e logicamente há uma economia de tempo e de combustível.

Há um outro aspecto importante para o transportador: na maioria dos casos, não será mais necessário instalar uma filial física apenas para o fornecimento de documentos. É uma redução de custos bastante interessante para qualquer empresa. Sem falar que a nota fiscal eletrônica garante maior sigilo nos dados referentes ao frete, tornando a concorrência mais justa.

Para a população das grandes cidades as vantagens são evidentes. Imaginem que, num passe de mágica, milhares de caminhões deixarão de transitar diariamente pelas ruas de São Paulo, Rio ou Belo Horizonte apenas para buscar um pedaço de papel. Menos poluição, um trânsito menos carregado, mais segurança para quem reside nos grandes centros urbanos. Enfim, menos combustível para o "efeito estufa".

E tem também a questão do papel. No momento em que mais se fala na economia de recursos naturais, milhões de blocos de notas fiscais se tornarão obsoletos – pois este é um sistema que pode ser implantado nos mais diversos setores da economia. E isto poupará o corte de milhares de árvores.

Enfim, o sistema é perfeitamente viável. A Prefeitura de São Paulo, por exemplo, já adota a nota fiscal eletrônica em diversos ramos do comércio paulistano. O setor de transporte de cargas pode perfeitamente fazer sua implantação sem exigir grandes investimentos das empresas. As federações, sindicatos e órgãos de classe poderão contribuir para divulgar o processo e baratear os custos. E principalmente mobilizar o setor, a fim de reivindicar mudanças na legislação atual. A proposta está lançada, agora convido todos a colaborar para que seja definitivamente implantada.

* Markenson Marques é diretor-presidente da Cargolift Logística e Transportes