ELA com E.L.A. – O diagnóstico

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Maria Lucia Wood Saldanha

Eu já buscava uma resposta para os meus sintomas desde o surgimento do primeiro deles, em novembro de 2010. A partir de então foram uma infinidade de exames e consultas, todos inconclusivos.

No entanto, no dia 17 de julho de 2012 fiz a quinta e última eletroneuromiografia e estudo de condução nervosa e no dia seguinte viajei para o Rio de Janeiro, passar uma semana na casa de uma amiga.   Eu estava de férias e precisava de uns dias para me divertir e esquecer um pouco da saga em busca do diagnóstico.

Minha irmã ficou responsável por apanhar o resultado do exame dois dias depois e entregar para o médico. Entrei em contato com ela para saber qual teria sido a conclusão e senti que algo não estava correndo bem, pois ela me disse que não tinha aberto o envelope.

Fingi que acreditei, telefonei para o consultório onde o mesmo havia sido realizado e solicitei que fosse enviado o resultado para meu email, pois eu estava no Rio de Janeiro e pretendia consultar um neurologista de lá. Não era verdade, mas era uma mentira justificável. Se era para encarar o problema, que fosse logo.

Era próximo das dezoito horas. Foram os cinco minutos mais longos da minha vida. Enfim, chegou o email, onde constava a seguinte conclusão:

“Os achados dos exames acima mostram: 1) Sinais de desinervação em seguimento cervical, bulbar, torácico e lombo-sacro, compatível com comprometimento de neurônio motor inferior como encontrado nas doenças do neurônio motor inferior. O reflexo H facilmente ativado pode ser encontrado na liberação piramidal (doença do neurônio motor superior). Correlação com o exame realizado em 14-02-2012: o exame atual mostra alterações em mais de três segmentos (neurônio motor inferior), o exame anterior mostrava somente alterações nos membros superiores”

Eu sabia que para a caracterização da ELA, juntamente com o exame clínico, havia necessidade de alteração em três regiões. E isso agora o exame mostrava (cervical, bulbar, torácica e lombo-sacra). Já não era mais uma desconfiança. Era uma confirmação.

Eu estava com uma das piores doenças existentes. Fiquei estática por um tempo e depois comecei a chorar.  Foi como receber um balde de água gelada na cabeça. Recebi uma sentença de morte sem ter cometido crime algum. E mais: tive a consciência de que os últimos anos dessa pena seria presa dentro do meu próprio corpo, já que toda a musculatura ficaria atrofiada, mas meu cérebro permaneceria intacto.

Eu precisaria repensar a minha vida. Permiti-me chorar bastante. Pensava no meu filho que tinha acabado de completar treze anos. Era uma criança. E na minha mãe, como estaria sofrendo com aquele resultado.

Aquela noite foi sucedida de telefonemas com vários amigos e familiares. Palavras de consolo em meio a piadas, como eu sempre costumava fazer, faziam-me misturar choros e risos.

Adormeci, somente com a ajuda do ansiolítico que o meu neurologista já tinha prescrito antes.

E agora? O que fazer diante disso? Na semana que vem eu conto.


Maria Lucia Wood Saldanha
É nossa convidada de honra e assinará uma coluna semanal no site do jornal Diário Indústria & Comércio www.diarioinduscom.com.br que retratará e chamará a atenção para a realidade de pessoas que convivem com doenças, neste caso, terminal, além de servir como referência de dinamismo, fé, amor e exemplo de vida.

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