ELA com E.L.A. – Meus primeiros sintomas

1959
Maria Lucia Wood Saldanha

Desde julho de 1991 eu trabalhava como advogada trabalhista. Atuava tanto judicialmente como de forma consultiva, dando suporte às empresas.

Em novembro de 2010 tudo corria bem, até então, com minha saúde e com a minha vida. Já tinha praticamente superado um trauma que tive um ano antes, quando meu ex-companheiro, com quem morei por quase sete anos, foi brutalmente assassinado, quinze dias após eu pedir a separação. Trabalhava, há alguns anos, na Procuradoria Jurídica do Sistema FIEP (SESI, SENAI, IEL e FIEP), tinha uma vida totalmente independente e vivia com meu filho de onze anos. Aguardava a entrega do meu apartamento novo, que estava sendo finalizado. Fazia musculação e estava feliz com meu corpo, após viver anos lutando contra a balança.

Foi quando comecei a sentir que algo estava acontecendo com meu dedo indicador da mão direita, pois não estava conseguindo utilizar o mouse do computador com a mesma agilidade. Eu não conseguia esticá-lo. Achei que fosse LER (lesão por esforço repetitivo).

Dois meses depois, como não houve melhora, fui à procura do primeiro médico – um ortopedista. Ele solicitou um exame de eletroneuromiografia e estudo de condução nervosa. Como foi constatada uma desinervação aguda e crônica em membro superior, foi sugerido que eu procurasse um neurologista.

No inicio de março de 2011 fui à procura de um neurologista. A partir de então, foram realizados vários exames, além do clínico, na tentativa de fechar um diagnóstico: exames laboratoriais, de imagens, punção lombar, raio­-X e outras eletroneuromiografias e estudos de condução nervosa. Sempre realizando um de cada vez, a fim de descartar outras doenças, já que a ELA é difícil de ser diagnosticada.

Em julho daquele ano o mesmo sintoma surgiu no dedo indicador da mão esquerda, ocasião em que outros dedos da mão direita começavam a apresentar fraqueza com perda de movimentos e já era frequente a presença de fasciculações e cãibras pelo corpo. A essa altura eu já estava morando no apartamento novo com meu filho e continuava trabalhando normalmente, pois como era canhota, não havia tanta dificuldade para escrever e digitar.

Nesse ínterim eu mudei três vezes de neurologista, não por duvidar da capacidade deles, mas porque eu queria obter respostas imediatas, o que não é tão simples assim no campo da neurologia.

Todavia, como sou curiosa, desde o resultado da minha primeira eletroneuromiografia e estudo de condução nervosa fui tentar obter maiores informações na internet. Foi quando vi que poderia ser ELA. Falava da minha desconfiança para os familiares e amigos mais íntimos, mas a unanimidade dizia que não seria ELA e que era pra eu tirar a ideia da cabeça. Mas no meu íntimo eu achava que era.

Foi um período angustiante. O medo do desconhecido é assustador. A incerteza é pior do que a certeza, creio eu.  Mas os médicos não poderiam fechar diagnóstico, já que o comprometimento somente se fazia presente nos membros superiores e, para ser considerada ELA é necessário mais do que isso.

Na próxima semana vou contar como foi receber o diagnóstico de uma doença fatal. Aguardem.

Maria Lucia Wood Saldanha
É nossa convidada de honra e assinará uma coluna toda terça-feira no site do jornal Diário Indústria & Comércio www.diarioinduscom.com.br que retratará e chamará a atenção para a realidade de pessoas que convivem com doenças, neste caso, terminal, além de servir como referência de dinamismo, fé, amor e exemplo de vida.

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