Foto especial da amiga Maria L. Saldanha, no link: marialucia.saldanha”

Maria Lucia Wood Saldanha

Em novembro de 2010 comecei a sentir os primeiros sintomas da doença. Em julho de 2012, diagnosticada com ELA, não esperei pela execução da sentença e decidi viver intensamente os meus últimos dias de Pompeia.

A doença não me tornou santa. Pelo contrario; me autorizou a fazer muita coisa, até o que eu moralmente censurava, já que eu tinha, no máximo, cinco anos de vida, sendo os últimos acamada, imóvel, com sonda de gastrostomia e traqueostomizada.

Fui fazer tudo o que tinha vontade, Saí, conheci muita gente, fiz muitas amizades, tive relacionamentos amorosos, bebi, passei a comer o que tinha vontade e me privava, dancei e viajei muito. Enfim, “chutei o balde”, mas não com sentimento de revolta, mas sim por prazer.

Mas por outro lado, tinha um filho pequeno que necessitava ser orientado, educado e preparado para a vida e para o mundo. Então, ao mesmo tempo em que resolvi curtir a vida, tinha uma missão importante a desempenhar e com rapidez.

Acho que muitos também pensam em aproveitar os últimos anos da vida. Mas poucos, acredito, tiveram essa mesma sorte. Digo sorte porque tantos morrem diariamente sem fazer dez por cento do que planejaram para o futuro.

Hoje posso dizer que fiz tudo o que planejei para o meu futuro, mas ainda quero mais. Quero continuar passeando muito e, ainda, fazer mais uma viagem de navio com meu filho, para que ele agora me ensine um pouco do que aprendeu na sua formação como oficial náutico da marinha mercante.

E hoje, há quase doze anos, apesar das limitações físicas inexoráveis, cada dia tem sido um dia a mais nesta vida sentenciada, porém, muito mais feliz que se possa imaginar, como descrevo no meu livro A VIDA É BELA, superando obstáculos, muitos deles difíceis mas transponíveis a partir da vontade real, e não preguiçosa, quando se quer viver na plenitude do seu sentimento.

Continue descrevendo, lazer por lazer como todos fazemos também….