ELA com E.L.A. – Atitudes posteriores

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Maria Lucia Wood Saldanha

Após sete meses de diagnóstico, achei que era a hora de eu parar de trabalhar. Eu sabia que não estava mais rendendo como antes e não iria esperar ficar mais debilitada para fazer o que ainda tinha vontade. Eu precisava correr contra o tempo. Nessa época, minha limitação ainda era só nas mãos, mas digitar já estava sendo bem difícil.

Após quinze dias de afastamento, na data agendada, fui à perícia do INSS e apresentei toda a documentação necessária, dentre elas o atestado médico que mencionava que eu não tinha mais condições de trabalhar e os exames comprobatórios do diagnóstico.

Sendo a ELA uma doença degenerativa e progressiva, a conclusão óbvia seria a aposentadoria por invalidez, já que qualquer função perdida não havia como ser recuperada. E se naquele momento eu estava incapacitada, certamente não seria um período de afastamento que faria isso mudar para melhor. Todavia, esse não foi o entendimento daquele órgão. Deram-me seis meses de afastamento por auxílio-doença. Dessa forma, a solução foi o ajuizamento de ação para pleitear a aposentadoria por invalidez. A sentença saiu antes de findar o prazo do auxílio-doença concedido.

Na sequência, com a carta de concessão da aposentadoria por invalidez, levantei o que ainda havia de FGTS, fui atrás da quitação do apartamento, já que o contrato previa tal hipótese, bem como levantei um seguro de vida que eu tinha.

Ainda, requeri e tive concedida a isenção de imposto de renda e comprei um carro zero automático, aproveitando as isenções de IPI, ICMS, IOF e ainda, IPVA.

Decidi que não importaria a fase da doença, eu ficaria na minha casa, não tendo a intenção de morar com ninguém, que não fosse meu filho. Aproveitaria também para viajar enquanto minha saúde permitisse e tivesse dinheiro.


Maria Lucia Wood Saldanha
É nossa convidada de honra e assinará uma coluna semanal no site do jornal Diário Indústria & Comércio www.diarioinduscom.com.br que retratará e chamará a atenção para a realidade de pessoas que convivem com doenças, neste caso, terminal, além de servir como referência de dinamismo, fé, amor e exemplo de vida.

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