Tudo é possível. Depois de todas as catástrofes naturais que andaram acontecendo nos EUA.

(Autor: Antonio Brás Constante)

         Tudo é possível. Depois de todas as catástrofes naturais que andaram acontecendo nos EUA. Como por exemplo, aquela ocorrida em Nova Orleans, o presidente dos Estados Unidos poderia acreditar que algumas das obras de Deus em seu País seriam na verdade ataques terroristas.

            Esta teoria ganharia força quando ele começasse a verificar as semelhanças entre Deus e o maior terrorista da terra: Bin Laden. Se analisarmos um pouco, Deus se enquadra no perfil do terrorista tradicional.

            As imagens que se têm dele são de um homem barbudo que dispõe de uma legião de seguidores religiosos espalhados pelo mundo. Um de seus codinomes é “Alá”. Já participou de vários atentados terroristas registrados na Bíblia, tais como: O Dilúvio, pragas de gafanhotos, destruição da torre de Babel (uma das torres mais altas do mundo naquela época), etc.

            Assim como não se sabe ao certo onde está Bin Laden, também dizem que Deus está em toda parte, mas ninguém sabe exatamente onde. Claro que Deus tem algumas vantagens, afinal como ele tudo vê, ouve e sabe, podemos concluir que seu sistema de espionagem é bem mais avançado do que o dos americanos.

            Ia ser uma briga em família, pois além de filho da mãe, Bush também é filho de Deus. Sem falar que o presidente americano pensa que é Deus, e Deus é verdadeiramente Deus desde o início dos tempos. Este fato acabaria se tornando uma afronta ao modelo de democracia dos Estados Unidos, que justificariam a invasão dizendo que uma vez tomado o poder no Céu, institucionalizariam eleições diretas no local.

            Diriam os americanos que Deus contaria com armas de destruição em massa. Massas frias e quentes de Ar, que causariam danos piores do que os de qualquer bomba.

Para atingir seus objetivos, Bush teria que contar com seus soldados mortos (esperando que algum deles tivesse ido parar no Céu), pois seria o único jeito conhecido de invadir o Paraíso. Não se perderiam vidas neste conflito, apenas almas. As mensagens para as tropas seriam por intermédio de médiuns. E o papa seria chamado para ser intermediador nas batalhas.

Nessa guerra, o Brasil seria considerado uma nação inimiga, pois todos sabem que Deus é brasileiro. Só não invadiriam o nosso país, pois correriam o risco de serem rechaçados pelos traficantes daqui, que andam mais bem armados que os próprios americanos.

O final desta guerra seria imprevisível, mas podemos imaginar um forte boicote aos céus por parte dos americanos, similar ao que fizeram em Cuba. Como a única matéria-prima enviada para lá pelo pessoal do Tio Sam, são as inúmeras almas dos outros paises, quem sabe assim, não houvesse finalmente um cessar fogo imposto pelos EUA, fazendo a humanidade voltar a dormir um pouco mais tranqüila. Ao menos até que Bush lembra-se que como legítimo herdeiro, poderia entrar com um pedido de herança contra Deus, iniciando outra briga, agora nos tribunais, exigindo sua parte do Céu. Mas aí já seria uma outra história.

 

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