É possível diferenciar gripe e Covid em crianças? Pediatra explica o que os pais devem fazer

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Teste PCR-RT: os pais devem explicar que o exame não é doloroso. Vale até treinar antes com a criança, o que a deixará mais segura.

Médica ensina os pais a preparararem os pequenos para a coleta nasal do exame e a lidar com o diagnóstico positivo para o novo coronavírus

Criança com febre, tosse e dor de garganta sempre é um desafio para os pais, principalmente no inverno, em que os quadros gripais são mais comuns. Identificar esses problemas como “uma simples virose” nunca fez sentido, sobretudo em tempos de pandemia do novo coronavírus. E agora? Como fazer a distinção entre a gripe e a Covid quando o filho apresentar esses sinais?

Em primeiro lugar, os adultos devem saber que, independentemente da idade do paciente, o diagnóstico que apontar o problema só pode ser realizado por meio do exame laboratorial. E aí entra um novo desafio: como preparar os pequenos para a hora do teste?

Quem explica tudo isso é a pediatra Juliana Rangel, que também fala sobre alguns indícios a que os pais devem ficar atentos. “Crianças com Covid-19 apresentam na maioria das vezes sintomas inespecíficos como tosse, diminuição do apetite, dor muscular, dor de garganta, congestão ou obstrução nasal e cefaleia. A febre pode ou não estar presente. E todos esses sintomas podem ser confundidos com gripe ou resfriado. Alguns casos ainda podem apontar apenas sintomas gastrintestinais: como diarreia, náuseas e vômitos. Então, manifestando esses problemas, a criança deve ser encaminhada para realização do exame”, salienta a médica.

Juliana Rangel acrescenta que o principal exame para o diagnóstico de infecção pelo coronavírus é a reação em cadeia de polimerase em tempo real (PCR-RT) em secreção de via aérea do paciente, coletado pelo Swab (cotonete) nasal, de preferência entre o terceiro e o sétimo dia de início dos sintomas.

Esse método pode ser desconfortável, mesmo para os adultos. Por isso, é importante explicar à criança como será feita a coleta. “Oriento falar que o vírus fica escondido bem lá no fundo do nariz e por isso precisamos usar um cotonete um pouco maior para alcançá-lo. Os pais podem explicar que o exame não costuma ser doloroso e que estarão presente durante todo o teste, para o filho se sentir seguro.”

Dra. Juliana Rangel, pediatra: “O medo da criança não pode ser menosprezado.”

É possível também treinar o procedimento em casa para os pequenos irem se acostumando com o método antes da hora H do teste. “Peça que a criança incline a cabeça pra trás, olhando para o teto, prenda a respiração por 10 segundos (se ela conseguir)  e pense numa coisa bem legal durante o exame. Explique que a coleta será dos dois lados”, orienta.

O importante, em todo esse empenho, é não menosprezar o medo da criança. “Acolha o sentimento e lembre-se de situações onde ela conseguiu superá-lo. Vale até levar um boneco/ursinho preferido ou manta para o seu filho abraçar durante o teste e dar segurança.  Se a família for coletar, os pais podem se oferecer para fazer o teste primeiro. Assim a criança pode ver e ficar mais tranquila. Ah , não esqueça de dar os parabéns e elogiar por ele ter conseguido superar seu medo”, finaliza a pediatra. 

Protocolo de cuidados especiais é essencial no tratamento

Se o diagnóstico for positivo para a Covid, os pais devem também seguir um protocolo de cuidados especiais.  É o que ressalta a também médica pediatra Ana Escobar, professora livre docente do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). “Consulte o pediatra, permaneça em isolamento social. O ideal é que a criança tenha contato apenas com quem está cuidando dela, que também deve se prevenir com o uso de máscara e higiene das mãos. Mantenha os ambientes ventilados para diminuir a quantidade de vírus no ar”.

Outra recomendação dada pela especialista é: não mande os filhos para a escola até que tenham recebido alta médica. “Mesmo após a cura da criança, a família toda deve continuar seguindo as medidas sanitárias enquanto durar a pandemia, com o uso correto de máscaras, higiene das mãos, ambientes arejados e distanciamento social, evitando aglomerações para prevenir novas contaminações.”