O dólar avançou mais de 2% frente ao real nesta sexta-feira, marcando uma terceira valorização semanal consecutiva com impulso da recente decisão do Federal Reserve de subir os juros dos Estados Unidos no ritmo mais intenso desde 1994, conduta que, além de tornar a moeda norte-americana globalmente mais atraente, elevou temores de uma recessão na maior economia do mundo, minando o apetite de investidores por risco.

A moeda norte-americana à vista saltou 2,35%, a 5,1460 reais, máxima para encerramento desde 9 de maio passado (5,1554 reais), o que configurou seu oitavo ganho diário em nove pregões. A valorização percentual desta sexta foi a mais intensa desde a alta de 2,46% registrada na segunda-feira, que, por sua vez, foi a maior desde 2 de maio (+2,58%).

Na semana, encurtada pelo feriado de Corpus Christi na quinta-feira, o dólar avançou 3,14%, com os fortes ganhos de segunda e sexta mais que compensando a queda de 2,07% de quarta.

Na B3, às 17:22 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,71% no dia, a 5,1650 reais.

A política monetária foi o grande tema desta semana, com vários bancos centrais realizando reuniões que, no geral, explicitaram a maior urgência das autoridades monetárias para conter as persistentes pressões de preços que, apenas alguns meses atrás, muitos pensavam ser temporárias.

Nos EUA, o Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual na quarta-feira, aumento bem mais agressivo que o anteriormente esperado pelos mercados e que seguiu ajustes de 0,25 ponto em março e 0,50 ponto em maio.

Temores de que um eventual ambiente monetário restritivo nos EUA se some a desafios exógenos –como a guerra na Ucrânia e medidas de combate à Covid-19 na China– e provoque uma recessão levaram a uma onda de mau humor nos mercados globais na véspera.

Reuters