O dólar fechou com leve ganho contra o real nesta quarta-feira, longe das máximas da sessão, após a ata da última reunião de política monetária do banco central norte-americano apenas confirmar expectativas do mercado, evitando adicionar sinalizações sobre eventual endurecimento do ritmo de alta de juros.

O dólar à vista subiu 0,17%, a 4,821 reais na venda.

Ainda pela manhã, quando a tônica era mais defensiva, a cotação bateu a máxima do dia, de 4,8653 reais, alta de 1,09%.

Entre altos e baixos o dólar chegou em alta de 0,6% pouco antes da divulgação da ata do Fed. Após forte volatilidade inicial, a moeda se acomodou em tom mais fraco na sequência da ata, até por volta de 16h30 (de Brasília) tocar a mínima intradiária de 4,8055 reais, queda de 0,16%. Até o fechamento alguns compradores reapareceram, devolvendo a divisa ao terreno positivo.

No exterior, o dólar subia 0,36% ante uma cesta de pares. A visível melhora de direção nos mercados de ações norte-americanos [.NPT] após a ata do Fed também ajudou a amenizar as cotações do dólar por aqui.

“O Fed foi muito não evento. Já se esperava, estava bem precificada (a menção a) mais duas altas de 0,50 ponto percentual e depois uma rediscussão da trajetória”, disse André Kitahara, gestor de portfólio macro da AZ Quest.

Todos os participantes da reunião de política monetária do banco central dos Estados Unidos de 3 e 4 de maio apoiaram um aumento de juros de 0,50 ponto para combater a inflação, que eles concordaram ter se tornado uma grande ameaça para o desempenho da economia norte-americana e que poderia subir ainda mais sem a ação do Federal Reserve, apontou a ata do encontro.

Ainda assim, Kitahara destacou que o debate é “supervivo”.

“Tem muito ‘game’. O cenário para os juros lá fora é zero trivial, os BCs subirem juros rapidamente por causa da inflação. […] É um negócio totalmente em aberto. Eu não ficaria nada surpreso de ver os BCs trocando um pouco da preocupação com a inflação para olhar um pouquinho também para a atividade.”

Apesar do vaivém recente, o real é tido como uma moeda “com atrativos” pelo gestor, que cita juro mais alto, abertura do diferencial de crescimento a favor do Brasil e aumento dos termos de troca. “É quase um alinhamento de astros favorável ao Brasil, diria.”

“A moeda em termos de ‘valuation’ (avaliação) está razoavelmente barata, acho que tem chance de se apreciar mais. Por outro lado, é difícil de isso ser precificado por causa da eleição, da política fiscal”, ponderou Kitahara, acrescentando que não ficaria surpreso se o dólar descesse a 4,50 reais, mas com riscos de volta devido “ao evento do fim do ano (eleição) que é determinante”.

E dados do mercado de opções mostram que, no horizonte que abarca a eleição (em outubro), a volatilidade implícita da taxa de câmbio alcançou nesta quarta-feira o maior patamar desde setembro de 2018, indicativo de maior incerteza sobre os rumos do par dólar/real.

O Bradesco divulgou estudo em que cita receios sobre o futuro da política fiscal como fator a manter o real desvalorizado em relação ao que vê como taxa “justa”, que com base em dois modelos estaria entre 4,40 reais e 4,50 reais por dólar.

“Apesar de os modelos indicarem apreciação do Real, acreditamos que existem vetores para ambas as direções e que há uma incerteza acima da usual para essa variável”, disseram Rafael Martins Murrer, Henrique Monteiro de Souza Rangel e Fabiana D’Atri no documento.

Fonte: Reuters