Dólar fecha em leve queda, mas volatilidade dispara

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O dólar fechou em leve queda ante o real nesta quarta-feira, ao fim de uma sessão marcada por intenso vaivém nos preços, com a moeda brasileira terminando o dia entre os poucos destaques positivos nos mercados globais de câmbio.

O dólar spot caiu 0,16%, a 5,3122 reais na venda. Ao longo de uma jornada de sobe e desce, a cotação variou entre ganho de 0,65%, a 5,3556 reais, e queda de 0,92%, a 5,2716 reais.

A instabilidade do câmbio ocorreu em dia de fluxos pontuais, sem drivers com força suficiente para dar uma direção mais clara ao mercado. De forma geral, estiveram no radar notícias positivas do setor de serviços em novembro, perspectiva de início de vacinação, corrida para eleição nas duas casas legislativas brasileiras, apostas sobre os rumos da política monetária e o noticiário político nos Estados Unidos.

Não é de hoje que o real se destaca pelo vaivém, mas nas últimas sessões a moeda ampliou o “gap” ante os pares, sinal de percepção de maior incerteza sobre os rumos da taxa de câmbio.

Na terça-feira, a cotação recuou 3,32%, a 5,3208 reais na venda, na maior baixa percentual diária desde 8 de junho de 2018 (-5,59%). A correção veio depois de a moeda saltar na segunda-feira 1,60%, a 5,5033 reais na venda, maior nível desde 5 de novembro (5,5455 reais).

“Acho que, mais do que o de ontem, o movimento de segunda estava errado”, disse Cleber Alessie, gerente da mesa de derivativos financeiros da Commcor DTVM, justificando os ajustes nos dias seguintes. “Mas de forma geral essa volatilidade do real tem espaço por causa do juro baixo. O Brasil não é um país que comporta um prêmio de risco tão baixo para o estrangeiro”, completou.

Esse prêmio de risco é o juro, que, pela taxa básica, está na mínima histórica de 2% ao ano, mais baixa que os juros de rivais do Brasil na disputa por atração de investimentos, como México, Colômbia e África do Sul.

Evidência do grau de incerteza sobre a taxa de câmbio, a volatilidade implícita das opções de dólar/real para três meses estava em 19,01% ao ano, bem acima da medida para o rand sul-africano (16,38%), a segunda divisa mais volátil do mundo emergente.

“Imagina o que é ser empresário neste país e fazer planejamento com um dólar com essa volatilidade. Pior ainda: imagina o negócio que você tem de tocar sendo impactado diretamente pela moeda. Aí não é nem herói, o cara tem que ser é mágico”, disse Sérgio Machado, gestor na TRÓPICO Latin America Investments.

O Banco Central comentou em novembro passado que não havia chegado a conclusões específicas sobre as causas da volatilidade cambial. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, chegou a citar aumento no volume de operações de “daytrade” como uma possível causa.

Aqui, as atenções seguiam voltadas para a corrida nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. O MDB definiu que Simone Tebet enfrentará Rodrigo Pacheco (DEM) na disputa pelo Senado.

A XP lembra que Tebet se lançou na disputa pregando “independência com harmonia” em relação ao Planalto e disse que a discussão sobre novo auxílio emergencial deve ser feita “observando os critérios de responsabilidade fiscal, do limite do teto de gastos”.

No campo macro, o setor de serviços do Brasil –que responde pela maior parte da atividade econômica– cresceu em novembro pelo sexto mês consecutivo e a uma taxa acima do esperado.

Agentes de mercado dizem que a divisa brasileira só deve fechar o “gap” de excesso de desvalorização ante seus pares quando a economia voltar a crescer de maneira consistente –o que, para analistas, só acontecerá no curto prazo com o controle da pandemia.

Em conversa com apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que seu governo comprará todas as vacinas contra Covid-19 que forem aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sinalizando que a CoronaVac, vacina do laboratório chinês Sinovac, poderá ser adquirida apesar de uma eficácia menor que a anunciada anteriormente para o imunizante.

Fonte: Reuters