A Bolsa de Valores de São Paulo se recuperou no fim da quinta-feira, mas mesmo assim fechou em baixa de quase 4%.

A Bolsa de Valores de São Paulo se recuperou no fim da quinta-feira, em linha com a melhora de Wall Street, mas mesmo assim fechou em baixa de quase 4%, diante de um forte aumento da aversão ao risco no mundo por temores sobre aperto do crédito.

Segundo dados preliminares, o Ibovespa recuou 3,81%, para 47.409 pontos. Na mínima da sessão, no entanto, chegou a perder 8,8%. O volume financeiro ficou em R$ 8 bilhões, cerca do dobro do giro de um dia normal.

As turbulências globais jogaram a taxa de câmbio para seu maior valor desde o dia 14 de março. O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,094 para venda, em forte alta de 3,15%. O preço da moeda americana oscilou com violência, entre a cotação máxima de R$ 2,130 e a mínima de R$ 2,075 durante a jornada de quinta.

Nas casas de câmbio paulistas, o preço do dólar turismo disparou e atingiu R$ 2,260 (valor de venda), uma alta de 6,6% sobre a cotação anterior. A taxa de risco-país bateu os 237 pontos no final da tarde, em seu maior nível desde 3 de janeiro de 2006.

O mercado de moeda sofreu as conseqüências da crise global das Bolsas de Valores. Em momentos de turbulência como vistos quinta, os investidores saem das aplicações de maior risco, vendendo ações e comprando dólar. Profissionais das corretoras de câmbio relatam que uma parcela dos exportadores ainda está ficou de fora do mercado, aguardando preços maiores para vender moeda.

As autoridades brasileiras tentaram acalmar os mercados, apoiados no discurso que os fundamentos econômicos da economia deixam o país menos vulnerável às crises financeiras mundiais.

"O governo está no papel dele: falar que estamos numa situação mais confortável. Agora, é inegável que temos um quadro muito melhor na comparação com as crises de 1998 ou 1999. Essa variação de Bolsas de hoje já teria levado o dólar para R$ 2,50 antigamente", afirma o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Juros futuros

O mercado futuro de juros também disparou. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,36%, contra 11,20% na quarta-feira. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada avançou de 11,44% para 12,18%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada subiu de 11,72% para 12,52%.