O dólar chegou a subir mais de 1% pela manhã, mas com o pregão em curso perdeu ritmo, virou e caía na mesma magnitude nesta sexta-feira, influenciado por entradas de recursos pela perspectiva de parada na alta dos juros.

O real atipicamente descolava de seus pares, ostentando o segundo melhor desempenho global numa curta lista de seis moedas que batiam o dólar no dia.

Os demais 27 principais rivais da divisa norte-americana sofriam expressivas perdas, após dados bem mais fortes do mercado de trabalho dos EUA reavivarem expectativas de nova grande alta de juros pelo Fed.

Às 16:40 (de Brasília), o dólar à vista recuava 1,08%, a 5,1662 reais na venda. A moeda variou entre 5,279 reais (+1,08%) e 5,1658 reais (-1,09%).

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,90%, a 5,2040 reais.

Enquanto isso, o índice do dólar contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos saltava 0,8%. O dólar subia entre 0,3% e 1,8% ante pares do real como peso mexicano, peso chileno e peso colombiano.

Mas não era apenas o mercado de câmbio que performava bem nesta sexta. A bolsa paulista caminhava para fechar sua terceira semana de ganhos, e na renda fixa as taxas de juros embutidas em contratos de DI na B3 –uma medida das perspectivas para os custos dos empréstimos– seguiram em queda nos vértices de longo prazo mesmo depois do tombo da véspera.

“O gringo está entrando para aplicar nos juros, já que chegou o fim do ciclo (de alta da Selic)”, disse um gestor que preferiu não ser identificado.

Os vértices longos da curva de DI –tradicionalmente os mais visados pelos estrangeiros– caíam cerca de 10 pontos-base no fim da tarde. A queda dos juros por sua vez eleva o apelo da renda variável, o que ajuda a explicar o Ibovespa ter superado os 107 mil pontos mais cedo.

“Acho que esse movimento (de ingresso de dinheiro estrangeiro) vai continuar”, disse Vinicius Alves, macroestrategista-chefe da Tullett Prebon, segundo o qual o não residente já havia tempo que queria entrar, mas era desestimulado pela perspectiva de o juro seguir em alta.

“Ele agora vê espaço para entrar, não se importa em ter pedido uma semana de movimento (de perda de prêmio na curva). Agora o jogo é quando cai o juro (Selic)”, afirmou.

Fonte: Reuters