O Evangelho deste Domingo nos apresenta três parábolas de Jesus: a ovelha desgarrada, a moeda perdida e o filho pródigo.

Jesus à mesa dos publicanos e pecadores é um escândalo para os fariseus. Mas Deus tem preferência pela ovelha desgarrada, que está em perigo; pela moeda extraviada, que é mister reencontrar. Cada um importa para Ele e recebe preferência quem mais precisa. Quem está sempre com Deus não é problema, mas o desgarrado recebe uma atenção especial. Deus vai ao encontro dele, até que ele volte. O médico não vem para os sãos, mas para os doentes. Já o pensamento elitista diz: ocupa-te com os bons, os que rendem, pois com os outros perdes teu tempo. Enfraquece-os. Deixa-os viver na falta de higiene e na subnutrição para que sejam exterminados. Expulsa o povinho de sua área, o primitivo de suas terras. O pensamento de Deus não é assim. Ele sabe que rejeitar um só homem seria a mesma coisa que rejeitar a todos: o princípio é o mesmo. Por isso está ansioso de ver voltar qualquer um, até o mínimo, o mais rebaixado, aquele que conviveu com os porcos. Pois é seu filho, mesmo se o próprio filho já não se acha digno de ser chamado assim. Deus não pode esquecer seu filho. Nós gostamos de resolver os casos difíceis pela expulsão, a repressão. Deus opta pela reconciliação. Ora se Deus faz uma opção preferencial pelas ovelhas perdidas, não sobrará mais carinho para as que ficam no rebanho? Seria ter uma idéia muito mesquinha do carinho de Deus pensar assim. O pai faz festa para o filho pródigo, porque " aquele que estava morto voltou à vida" , mas não para o outro filho, que sempre está com ele, pois o " estar sempre com ele" é que deve ser a mais profunda alegria. Ou será que, talvez, o filho mais velho, no fundo do seu coração, permanece com o pai apenas por constrangimento? Se for assim, deve reconhecer seu afastamento interior e voltar ao pai, então o pai oferecerá um bom churrasco também para ele. A gente reconhece no filho mais velho a figura do fariseu: contas em dia, mas o coração longe de Deus não é tal a atitude dos que reclamam por que o padre anda nas favelas em busca de ovelhas perdidas em vez de rezar missas particulares ou ir a reuniões piedosas? Ao contrário, felizes por ter Deus sempre diante dos olhos, deveriam ser solidários com a Igreja que busca os abandonados, em vez de sentirem abandonadas no meio de tanta atenção que receberam.

Em vez de criticar a prioridade dada aos excluídos, deveriam ser os primeiros a procurar o reencontro, tornando-se os agentes de reconciliação. Os pensamentos de Deus não ficam parados nos bons; Ele está mais preocupado com os extraviados. Faz opção preferencial pelos que mais necessitam, os que estão em perigo e, sobretudo, os que já caíram, pois para Deus nenhum mortal está perdido definitivamente. Quem caiu tem de ser recuperado. Esta é a preocupação de Deus. E nós? Nós devemos assumir os interesses de Deus. A Igreja deve voltar-se com preferência para os pecadores, orientá-los com todos os recursos do carinho pastoral e mostrar-lhes o incomparável coração de pai de Deus. " Não é a justos que vim chamar, mas os pecadores" (Mt 9,13).