DESERTO PARTICULAR entra em cartaz

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Premiado pelo público no Festival de Veneza deste ano e escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2022, Deserto Particular entra em cartaz nesta quinta 25, sendo o lançamento mais esperado da semana.

Dirigido por Aly Muritiba, nordestino que escolheu Curitiba para morar, e que assina o roteiro com Henrique dos Santos, o filme se destaca ainda pela atuação do elenco liderado por Antonio Saboia e Pedro Fasanaro.

Com locações em Curitiba, Petrolina-PE, Sobradinho e Juazeiro-BA, o longa pode ser “lido” como uma metáfora de esperança para uma doce-amarga história de amor. O amor emerge quando menos se espera. E o diálogo diante da represa que afogou uma cidade são o âmago dessa metáfora.

Nas primeiras cenas do filme, se vê um homem (ex-policial, logo se saberá) cuidando de outro homem (o pai doente), ambos tristes, absortos. O ex-policial, Daniel, vai sorrir, sim, mas perante um celular, com o qual mantém contato sexy com Sara, lá de Petrolina-Juazeiro. Mais adiante, sempre com o andamento de uma câmara intimista, Daniel fica sabendo que sua irmã ama uma mulher.

O tempo todo com gesso no braço, fruto de uma confusão que o afastou da polícia, Daniel pega a estrada. Vai do Paraná à Bahia, ao volante. Seu objetivo é ver Sara, que, misteriosamente, não atende mais o celular. A câmera deixa de ser intimista, revela a imensidão da paisagem, traz a luz, o suor, a cor, o cheiro, o sabor.

Cenário a parte, os diálogos, contudo, são os mais densos do cinema brasileiro dos últimos tempos. Mas o filme culmina com ausência de palavras, apenas risos e olhares, e a música a sugerir a epifania.

É o final desejado para o Brasil. Diz Aly Muritiba: “É um filme de amor, feito num país conflagrado, dividido, que vem sido regido no signo sob o discurso do ódio, e ter, nesse contexto , nesse momento histórico, um filme de amor como o escolhido para representar nosso país, é uma bela mensagem, um belo sinal, mandado  pelos representantes da Academia Brasileira de cinema. Um recado de crença no cinema, e de crença no poder transformador do amor, da tolerância, do encontro”.

Diz mais: “Fico muito feliz de ter essa responsabilidade, de levar pra os membros da Academia Norte-americana de Cinema uma outra visão, uma visão distinta de Brasil. Um Brasil mais tolerante amável. Um Brasil que está muito mais disposto ao encontro, ao sorriso e ao prazer do que à disputa, à guerra, à raiva e ao ódio”.