Encurralado pela reação popular encabeçada pelas classes produtoras que já não suportam o peso da carga tributária indecorosa e improdutiva que recai sobre os ombros de empresas e pessoas físicas neste país, o governo dá sinais de que pretende negociar.

Para poder contar com os quase 40 bilhões de reais que irá arrecadar neste ano e nos próximos ( para só ficar no governo Lula que chega a 2010), pretende prorrogar a contribuição “provisória”, CPMF, até 2011. Promete começar à partir de 2008 a desonerar gradualmente a famigerada contribuição. Antes porém o governo quer a aprovação da matéria. Nem a “velhinha de Taubaté”, personagem do Luiz Fernando Veríssimo ao tempo do presidente Figueiredo, acredita que após conseguir seu intento o governo concorde em discutir reduções. O Eremildo, “o idiota”, do jornalista Élio Gaspari, também não! Além disso, para aumentar a incredulidade popular vem o ministro da Fazenda, Guido Mantega fazer afirmações que beiram a cretinice. Discutindo o assunto afirmou que a CPMF é um imposto que não é sequer percebido pelo povão. Até porque, pobre não tem conta em banco, raciocina, com a lucidez de quem vive na “ilha da fantasia chamada Brasília”. Mas come, bebe e dentro das suas limitações satisfaz outras necessidades sobre as quais funciona o efeito cascata desse imposto (imposto sim e não contribuição que só recebe esse nome para passar estados e municípios para trás). Cruel por ser cobrado em cada transação que se faz, assoberbando o imenso caudal de tributos que o brasileiro é obrigado a pagar. Sem nenhum retorno, apenas para sustentar a fantástica máquina burocrática criada para infernizar a vida do contribuinte.

 De Brasília

Pelo menos 40 deputados já negociam com o governo para garantir a prorrogação da CPMF, em troca de vantagens pessoais. A Contribuição, marcada sob pressão pelas classes produtoras corre o risco de, para ter sua prorrogação garantida, transformar-se em outro “mensalão” ainda maior.

 Endurecimento

O governador Roberto Requião endureceu de vez na sua luta contra o Ministério Público. Sua nova investida contra promotores  e procuradores prevê congelamento de salários, reajustes, gratificações e vantagens concedidos sem autorização legal. Mas transfere à Assembléia a responsabilidade de conceder qualquer novo benefício à categoria.

 Em silêncio

Em contrapartida o MP, que todos imaginavam indiferente às denúncias que ocorriam contra a administração estadual, trabalha na surdina. Está levantando todos os problemas denunciados, especialmente pela oposição. O difícil de aceitar, tanto num caso como no outro, é ações só ocorrerem quando as partes se sentem ofendidas, como se governo e cargos públicos fossem propriedades particulares. 

  Vivência…

Vereador Ademar Bloch, de Nova Santa Rosa, oeste do Paraná explicando ao colunista que o projeto governamental “Trator Solidário”, pelo qual se adquire um trator com 30% de desconto, pagando em valor correspondente a sacas de milho, não é tudo isso! A saca é cotada para efeito de pagamento em R$ 14 reais.

 …interiorana

Ademar ensina que um trator (R$ 70 mil) pelo projeto governamental custaria o equivalente a 3.5 mil sacas. Como porém hoje o milho está cotado a R$ 20,40, o valor real desse volume corresponderia a R$ 71.400,00. Isso se não houverem juros e correção monetária. A vantagem só seria o tempo de resgate. É como ensinava meu velho pai: “negociar com o governo, salvando a sacaria já fez bom negócio”. Com a palavra o secretário Valter Bianchini.

 

Sem governo

Grandes Rios, município do vale do Ivaí, vive uma situação sui-generis. A prefeita Eliane Ricieri (PMDB), irritada com a postura do presidente da Câmara municipal que insiste em não colocar em votação projetos da prefeitura, mandou veículos oficiais bloquearem a entrada da Casa de Leis municipal.

 Anarquismo

O vereador Adilson Francini (PT), presidente da Câmara, por sua vez suspendeu as sessões até que os veículos municipais sejam retirados. O perigo é a população descobrir, reforçando uma tese desta coluna de que existe governo demais em cima do brasileiro,  que sem prefeitura e sem câmara a cidade vive melhor. Sem governo federal, Câmara e Senado, com certeza.

 

Absolvição

Sete a três. Pelo menos a “absolvição” do projeto do governo na CCJ, para permitir à Copel entrar no nebuloso mas segundo avaliações da empresa, rendoso negócio do pedágio, foi mais menos desgastante que a absolvição do Renan Calheiros.

  A voto

Agora, depois de passar pela Comissão de Obras, da Assembléia, o que certamente ocorrerá a toque de caixa, o projeto estará em condições de ir a votação no Plenário da Casa. Na seqüência, virão detalhes que poderão inclusive levar o assunto ao “perigoso caminho da galhofa”.

 Entendimento

Ao não apresentar o relatório para ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que poria fim à multa aplicada ao Estado por conta dos títulos podres do Banestado, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) disse aguardar entendimento em andamento entre o governo do Paraná e o Itaú.

  

Em choque

De Jozélia Broliani, Procuradora Geral do Esatado: “É uma decisão que agrada ao governador”, garantiu. O Itaú deve impor como condição para aceitar entendimento o direito de retomar as contas do Estado.