Deputados europeus entregaram ontem ao plenário do Parlamento da União Européia uma declaração exigindo o embargo "imediato" de toda a carne exportada pelo Brasil à União Européia.

Um grupo de deputados europeus entregou ontem ao plenário do Parlamento da União Européia, em Estrasburgo, uma declaração exigindo o embargo "imediato" de toda a carne exportada pelo Brasil à União Européia (UE).

"O tamanho do País e o fraco sistema de inspeção representam um grande obstáculo ao controle efetivo (da febre aftosa)", diz a declaração dos deputados.

Fazendo eco de afirmações repetidas ao longo de dois anos pelos produtores do bloco, os deputados ressaltaram que "não faz sentido ser tão rigoroso na luta para salvar o gado europeu da febre aftosa se a doença pode chegar aqui pela porta dos fundos", em referência à carne brasileira.

O parlamentar europeu Neil Parish, da Grã-Bretanha, foi um dos que assinou a declaração. Segundo ele, "a UE exige que seus próprios fazendeiros sigam padrões rigorosos, particularmente depois dos recentes surtos de febre aftosa".

"É um erro tanto para consumidores como para produtores forçar nossos fazendeiros a cumprir essas exigências ao mesmo tempo em que fecham os olhos a produtos de qualidade inferior vindos do Brasil", disse.

Contestação

Os deputados, membros do Partido Popular e do Partido Verde europeus, respaldam um estudo, realizado por associações de produtores irlandeses e britânicos, que acusa os brasileiros de usar medicamentos e hormônios de crescimento proibidos na UE e aponta deficiências no sistema de rastreamento do gado brasileiro.

Como conseqüência, seria "impossível garantir que toda a carne exportada não proceda de zonas restringidas" desde 2005 devido a um surto de febre aftosa, diz o documento, enviado ao Executivo europeu em junho.

O estudo foi contestado em julho pela Comissão Européia e pelo Departamento de Alimentação e Veterinária da UE (FVO, na sigla em inglês), órgão responsável pelo controle sanitário no bloco.

Em uma carta enviada às associações de produtores e ao Parlamento Europeu o comissário de Saúde da UE, Markus Kyprianou, alegou que "as afirmações (do estudo) estão baseadas em interpretações incorretas das normas européias para importação de carne e cobrem dois Estados (Paraná e Mato Grosso do Sul) que estão proibidos de exportar para a UE".

Para diplomatas brasileiros, o motivo por trás da campanha liderada pelos produtores europeus é "puramente comercial".

"Eles estão preocupados com a concorrência brasileira, que vêm ganhando cada vez mais mercado. Mesmo se o controle da aftosa no Brasil fosse deficiente, o que nós negamos com firmeza, a carne brasileira não representaria nenhum risco para a UE, porque é desossada e maturada. Tudo isso impede que o vírus se manifeste", disse um diplomata.