Curadoria de pensamentos

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*por Claudia Queiroz

Que alimentos você da para seus pensamentos? Que tal ser uma espécie de curador das suas ideias e zelar pelo que pesquisa, organiza e dá sentido à sua vida?

Em primeiro lugar, vamos lembrar que alimentamos o bem e o mal. O bem quando nos nutrimos com conhecimento, positividade, entusiasmo, acreditando, compreendendo, ressignificando e fazendo boas escolhas. Mas porque muitos de nós busca informações tóxicas que maltratam corpo e mente? Por que falar de coisas negativas ou de problemas ocupa parte do seu tempo ainda?

Vou comparar pensamentos com alimentos. Não adianta saber da importância dos nutrientes como proteínas, vitaminas, frutas, legumes e minerais se eles não passam pela sua boca. Com nossa cabeça é a mesma coisa! Precisamos de pensamentos saudáveis e deliciosos para ter bom repertório de informações… Portanto, faça dieta de conteúdo.

Alimente-se de fontes confiáveis, pra começo de conversa. Consumir notícias indiscriminadamente pode ser tão nocivo quanto aquela coxinha comprada no carrinho clandestino da tiazinha que você nunca viu antes. O perigo e o estrago podem ser incalculáveis, por isso cuidado!

Garantida a procedência, é hora de entender do que você quer se nutrir. Esse é o principio básico da autocuradoria de conteúdo. Ser curador de si mesmo é entender o que mais importa na busca de informação. Sabe por que? Porque você tem acesso a uma quantidade infinita de conteúdo se comparada à capacidade de atenção.

Pesquisar, selecionar, organizar e dar sentido à informação. Faça uma lista dos seus interesses com clareza do que busca para não sair se ocupando de qualquer coisa.

Dia desses conversei com uma pessoa bem especial, o Wagner Azevedo, do Rio de Janeiro. Ele estuda muito, sempre foi um curioso da língua portuguesa e adora escrever dicionários… Está para entrar no “Guinness Book” como o maior escritor de dicionários do mundo! Tem vários já editados e publicados, alguns em processo de finalização adaptados para diversos idiomas.

Acumula obras e inspirações associando palavras com expressões de cultura, regionalismos, catacreses, definições sobre o uso de referências a animais na linguagem coloquial, onomatopeias, dentre outras pesquisas que resgatam o hábito que tínhamos de procurar palavras com um livro em mãos.

Investir em inteligência criativa, usada para o bem é a saída para muitos males da vida. Conteúdo qualificado nos salva do tédio, aumenta o repertório do vocabulário e garante bons momentos de distração.

Existe uma expressão interessante que diz: não procure fruta no açougue. Parece óbvio, mas se você quer desenvolver superconsciência, ter alta performance, bons pensamentos e se atualiza de notícias ruins é algo meio que parecido…

Selecione canais, perfis e temas para acompanhar. Organize como e quando você vai consumir esses conteúdos. Depois desse ritual, dê sentido ao que você está colocando pra dentro e se pergunte se essas informações mudam alguma coisa em sua vida. Porque se não for pra melhorar, pra agregar, delete da sua cabeça. Ta bom?

Claudia Queiroz é jornalista.