Cultura apoia classe artística e dissemina a arte, mesmo na pandemia

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A Superintendência Geral da Cultura (SGC), da Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura, se reinventou em 2020 para apoiar a classe artística e os profissionais envolvidos no setor e, paralelamente, manter a disseminação da arte e atividades culturais para o público, mesmo em tempos de pandemia.

Em 2020, a SGC deu continuidade à terceira edição, lançada no ano passado, do Profice, o Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura do Paraná. Destinado ao biênio 2020-2021, o edital direcionou R$ 33 milhões em renúncia fiscal para projetos nas áreas de Audiovisual, Artes Visuais, Circo, Dança, Literatura, livro e leitura, Música, Ópera, Patrimônio cultural material e imaterial, Povos e comunidades tradicionais, Culturas populares e Teatro. Foram contemplados 169 projetos.

O Paraná, assim como o resto do mundo, entrou em 2020 sem imaginar os desafios que seriam enfrentados pela frente, e que continuam a ser enfrentados. Antes da implementação da Lei Aldir Blanc, uma conquista histórica reivindicada pelos trabalhadores e trabalhadoras da cultura de todo o Brasil, foi lançado no Paraná, pela Superintendência da Cultura, o edital Cultura Feita em Casa, que visava selecionar conteúdos digitais já finalizados para exibição em plataformas de streaming e mídias sociais do Governo do Paraná. Foram contempladas áreas como Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Expressões culturais populares, indígenas e oriundas de comunidades tradicionais, Literatura e Música. Ao todos foram selecionados 379 projetos e os recursos começarão a ser pagos a partir de janeiro.

Com a sanção da Lei Aldir Blanc, todo o corpo técnico da Superintendência foi mobilizado para o complexo trabalho de implementação da Lei no Estado em duas frentes: o cadastramento e pagamento da renda emergencial para profissionais da cultura e a criação de oito novos editais emergenciais. Até o momento.

Na frente do auxílio emergencial, receberam o auxílio 100% dos elegíveis conforme critérios estabelecidos pela Lei e que estavam aptos para o pagamento: 679 pessoas, em um valor total de R$ 2.088.000,00. Quanto aos editais, os resultados finais de todos serão publicados ao longo dos próximos dias e os pagamentos começarão a ser realizados na sequência, até dia 28 de dezembro. Calcula-se que em torno de 1.500 pessoas sejam contempladas com os editais.

MAC-PR

O Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR) lançou, em 2020, do 67º Salão Paranaense de Arte Contemporânea, promovido pela Secretaria da Comunicação Social e da Cultura e MAC Paraná. As inscrições encerraram no último dia 25 de outubro. A adesão de trabalhos foi surpreendente: no total, esta edição recebeu 1.810 inscritos, em quatro diferentes categorias. Aberto a artistas brasileiras e brasileiros de todo o território nacional, o 67º Salão Paranaense premia 27 propostas artísticas com o valor de R$ 5.000/cada e uma grande exposição está prevista para o primeiro semestre de 2021, acompanhando os desdobramentos da pandemia.

Outra importante ação do MAC Paraná em 2020 foi o projeto Do it (home), idealizado em 1995 pelo curador Hans Ulrich Obrist e produzido pela ICI (Independent Curators International, organização de curadores independentes com sede em Nova York, Estados Unidos). Apresentado pela primeira vez no Brasil através da parceria inédita entre o MAC e a ICI, a proposta era de que qualquer pessoa, artista ou não-artista, pudesse acessar instruções de artistas convidados, divulgadas nas redes sociais do museu, e viver a experiência de produzir arte contemporânea em sua própria casa. Também neste ano, o MAC recebeu o webinário “museus + curadoria + universidades: práticas desobedientes, situadas e em redes”, soma de forças e esforços do Grupo de Pesquisa Curadoria e Gestão em Museus de Arte e Centros Culturais Universitários (UNB), Laboratório de Imaginário Radical (UFPR) e do MAC-PR, contará com a participação de pesquisadores, curadores, gestores de museus e docentes de diversas partes do Brasil, América Latina e Portugal.

Museu da Imagem e do Som

Em 2020, o MIS Paraná realizou atividades presenciais, como a exposição Ilhas da Imaginação, o evento Conversas de Cinema, que reuniu trabalhadoras do audiovisual para falar sobre roteiro, e o curso de Introdução aos Processos Fotográficos Históricos. A grande transição da programação foi a imersão no ambiente virtual: através do novo site e das redes sociais o Museu divulgou seu acervo, dicas culturais online e realizou ações educativas, como a Oficina de Brinquedos Ópticos, visita guiada virtual e bate-papos sobre cinema, fotografia, rádio e televisão. O projeto Cineclube Aurora passou a divulgar filmes do Paraná no seu Instagram e criou o Auroracast, um podcast sobre cinema com ênfase nas realizações paranaenses. A equipe técnica do Museu seguiu trabalhando na organização dos seus acervos expositivo e audiovisual. O público presencial do Museu de janeiro a março de 2020 ultrapassou a marca de 2.000. Juntas, as ações virtuais do MIS Paraná neste ano geraram um envolvimento de cerca de 180 mil pessoas.

Museu Paranaense

Dentre as principais ações na programação do Museu Paranaense (MUPA) ao longo de 2020, destaca-se o Primeiro Simpósio Virtual “Arte Indígena em Comunicação: diálogos entre saberes tradicionais, estética e sustentabilidade”. O evento contou com a colaboração de diferentes comunidades indígenas, pesquisadores e instituições, e teve como objetivo criar um espaço de diálogos entre as cosmogonias ameríndias e as coleções de arte indígena e instituições culturais da América do Sul. Duas importantes exposições também marcaram o calendário deste ano, no MUPA: a mostra “Educação pela Pedra”, parceria inédita com a Fundação Joaquim Nabuco (Recife, Pernambuco) e a mostra “Eu Memória, Eu Floresta: História Oculta”, que marca o início do programa Circuito Ampliado e promove acervos em circulação entre MUPA e Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões.

Museu Casa Alfredo Andersen

2020 marcou a celebração dos 160 anos do pai da pintura paranaense, Alfredo Andersen. Para comemorar a data, o Museu Casa Alfredo Andersen promoveu a chamada Semana Andersen, difundindo a importância do artista para as artes visuais e cultura do Paraná. Entre as ações, todas realizadas virtualmente, destaca-se a mostra “Vista da Janela”, reunindo trabalhos de alunos do ateliê de pintura do MCAA, e a campanha #CompartilhaAndersen, que movimentou as redes sociais com depoimentos de admiradores do legado do pintor.

Centro Juvenil de Artes Plásticas

O Concurso Paranaense de Desenho, realizado mais uma vez pelo Centro Juvenil de Artes Plásticas (CJAP), comissão organizadora e Associação de Pais e Amigos do CJAP, chegou a sua segunda edição em 2020. O certame teve neste ano 850 trabalhos inscritos, em uma participação extraordinária, que superou a da primeira edição, quando foram recebidos 600 desenhos.

A temática escolhida foi “Lugares do Paraná”, com o objetivo de incentivar os estudantes a refletirem sobre a identidade e a geografia do Estado, para expressá-las por meio da arte, e fazer com que pudessem, através do papel, viajar sem sair de casa, neste prolongado período de pandemia, quando todos fomos limitados em nossa liberdade de ir e vir.

O resultado final do concurso será divulgado no primeiro semestre de 2021 e os trabalhos finalistas farão parte de uma exposição em local e data a definir.