A CPI da Crise Aérea recebeu ontem uma cópia da ata de reunião ocorrida em dezembro na qual integrantes da Anac  da TAM, Gol e BRA apontaram o risco de se ultrapassar o final da pista do aeroporto de Congonhas (SP) no momento da aterrisagem.

A reunião, realizada em 13 de dezembro passado – sete meses antes do acidente com a TAM -, embasou a elaboração, pela Anac, da norma IS-RBHA 121-189, referente à segurança da pista de Congonhas.

De acordo com a ata (06-RJ/SIE), o gerente de Padrões de Avaliação de Aeronaves da Anac, Gilberto Schittini, relatou que três incidentes ocorridos pouco tempo antes no aeroporto poderiam ser considerados "indícios de que há um potencial de ocorrências mais graves, com ultrapassagem do final da pista (varar a pista), principalmente se houver uma situação de decolagem abortada (RTO – Rejected Take Off) ou uma situação de pouso com velocidade e altura superior à de aproximação (pouso alto e embalado)".

"Norma falsa"
A norma IS-RBHA 121-189 foi considerada falsa pela desembargadora Cecília Marcondes, do Tribunal Regional Federal de São Paulo. Segundo a desembargadora, o documento serviu como base para que a Justiça liberasse o uso da pista principal de Congonhas, que estava em obras. Em depoimento ontem na CPI, a diretora de Serviços Aéreos e Relações com Usuários da Anac, Denise Abreu, reconheceu que o documento era um estudo técnico sem valor legal, mas negou que tenha sido entregue à Justiça por má-fé.