COVID, TERCEIRA ONDA?

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O Brasil viveu no sábado o seu pior dia desde o início da Covid-19, há quase um ano. Foram 1.275 mortes em 24 horas, elevando o número de mortos para mais de 254 mil desde o início da pandemia. Vários estados endureceram as medidas restritivas, a exemplo do Paraná, com o decreto de “lockdown”.

COMPORTAMENTO DESASTROSO

Mas o presidente Jair Bolsonaro, em seu poço de insensibilidade, foi às redes sociais reclamar que o fechamento do comércio trará “consequências desastrosas” à economia do país. Para ele, só vale a economia, a saúde nem se cogita em pensar. E as mortes por Covid, presidente, terão que tipo de consequências? A vacinação no Brasil vai a passo de tartaruga.

FALTANDO COMPETÊNCIA

Se fosse mais competente, talvez o presidente não precisasse repreender governadores por exercer a sua função. Bolsonaro é contra o lockdown, diz que a doença é uma gripezinha, circula por aí sem  máscara e promove aglomerações, chama o povo que se cuida de “maricas” e faz corpo mole para comprar a vacina para imunizar a população. Lamentável.

POVO IRRESPONSÁVEL

Mas de nada adianta as autoridades fecharem tudo, se as pessoas continuarem a fazer festas clandestinas, se aglomerando e não usando máscaras. Estamos vivendo o efeito do carnaval, que não teve festa oficial, mas os relatos de festas clandestinas foram ouvidos em todo o país. Para complicar, ainda há a cepa do coronavírus do Amazonas, que se propaga com mais facilidade. Se as pessoas tivessem sido mais responsáveis, talvez não se precisasse de “lockdown” agora.

COMPORTAMENTO SEMELHANTE

O jurista e ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto, falou ao jornal Valor Econômico e se lembrou de que um deputado teve ato semelhante ao deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), que disse que “daria uma surra nos ministros do STF”. Em 2000, o ato antidemocrático foi cometido contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso. E quem cometeu o ato foi o então deputado federal Jair Bolsonaro, que disse que “FHC deveria ser fuzilado”.

DE SAÍDA

O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, tem dito a pessoas próximas que vai deixar o comando do banco. Ele falou que gostaria de fazer uma gestão técnica, mas já foi ameaçado de demissão pelo presidente Bolsonaro por promover redução do quadro de funcionários do BB. A troca da presidência da Petrobras teria sido a gota d’água para Brandão.  O atual presidente do BB está no cargo desde setembro apenas, vindo do HSBC em Nova York. Já tem um monte de gente de olho no cargo de Brandão.

RAPIDEZ

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), esteve reunido com representantes de bancos na última semana. Em jantar promovido pela Febraban, Lira foi otimista e declarou que aprovará a reforma administrativa em dois meses e a reforma tributária. Antes das duas reformas, os parlamentares terão de votar a PEC do novo auxílio emergencial, agora nos primeiros dias de março.

SAINDO DO BRASIL

O maior fundo do mundo, o Fundo Soberano da Noruega, retirou de investimentos no Brasil, no ano passado, US$ 2,7 bilhões. O fundo considera que há muitas incertezas e flutuação no mercado brasileiro e resolveu sair daqui. O Fundo recomenda ainda que investidores tirem seu dinheiro de empresas como a Vale e a Eletrobras. O fundo vale agora US$ 1,3 trilhão e é acionista em 9.123 companhias globalmente. As empresas de tecnologia dos EUA deram o maior retorno em 2020, de 41,9%, ilustrando a forte demanda por produtos para trabalho, educação, comércio e divertimento on-line.

CEBOLA

Quem faz as compras para o lar já percebeu: a cebola teve uma forte alta de preço nos últimos dias. A oferta do produto caiu cerca de 5% em janeiro e já refletiu no preço ao consumidor, com um reajuste de 40% no valor da cebola. Já o comportamento dos preços das frutas seguiu lógicas distintas em cada cultura. Na comercialização da maçã, houve quedas de 2,97% em Curitiba, 7,83% em Brasília e de 8,02% em Vitória.

INDICAÇÃO SOB RISCO

A indicação do general Joaquim Silva e Luna para presidir a Petrobras esbarra num item básico. Na assembleia geral extraordinária, convocada para aprovar a indicação do novo presidente da empresa, um dos itens necessários para a aprovação é a experiência do candidato.

10 ANOS NO RAMO

É necessário ter dez anos de experiência em empresa do ramo petrolífero ou outra de atividade semelhante. A única experiência do general como administrador na vida privada é a presidência de Itaipu, que ainda vai completar dois anos. A marcação da data da assembleia depende da aprovação ou não do nome do general Silva e Luna como candidato ao cargo de presidente da estatal.

REVENDAS FORD

Ao anunciar sua saída do Brasil, a Ford tinha 283 concessionárias de venda de veículos da marca. Destas 283, a montadora quer manter apenas 120, que seriam as mais viáveis para o negócio. As 163 revendas que deixarão de ser da Ford ou fecharão as portas ou mudarão para outras marcas.

CONCORRÊNCIA

Mas das 120 que a Ford pretende manter, haverá a concorrência das outras montadoras que podem fazer oferta para que elas troquem a marca de carro para revender. Quem sobrar na rede Ford também terá de prestar serviços aos carros em circulação. Segundo a Abradif, há cerca de 500 mil veículos rodando pelo País que ainda estão no prazo de três anos de garantia dado pela fabricante na compra.

QUADRILHAS

Quadrilhas andam desviando recursos do governo federal que seriam destinados ao auxílio emergencial, gerando prejuízos à Caixa Econômica Federal. Já são 229.542 pessoas que comprovaram que não receberam o benefício, obrigando o banco a fazer o pagamento mais uma vez. Os valores do prejuízo são de R$ 142,5 milhões. As informações integram a Base Nacional de Fraudes ao Auxílio Emergencial (BNFAE), coordenada pela Polícia Federal (PF) e foram divulgadas pelo jornal O Globo.

5G

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou o edital para a realização do leilão de implantação da tecnologia 5G no Brasil. O ministro das Comunicações, Fábio Faria, quer realizar o leilão até julho deste ano. O presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais, estima que o valor das faixas de frequência será de R$ 35 bilhões, sendo que a maior parte será de investimentos, não sendo destinados aos cofres da União.

CAPITAIS PRIMEIRO

Apesar de não marcar data para o leilão, a Anatel definiu que a operação comercial do 5G no país deverá começar pelas principais capitais 300 dias após a assinatura dos contratos. Se tudo correr como o governo prevê, isso será julho de 2022.