Os consórcios de veículos pesados, para caminhões, tratores, implementos rodoviários e agrícolas registraram desempenho expressivo no primeiro quadrimestre do ano, com altas em diversos indicadores. Com forte presença no segmento de transporte rodoviário de cargas e de passageiros, juntamente com o agronegócio, houve avanço de 96,6% nas adesões. Os negócios cresceram 55,9%, apesar da retração de 32,6% no tíquete médio de abril. Os demais indicadores setoriais registraram avanços. 

As 13,31 mil contemplações somente de caminhões, anotadas no acumulado dos quatro meses, corresponderam a potencial compra de 37,0% do mercado interno, que totalizou 35,99 mil unidades vendidas, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O percentual correspondeu a um caminhão a cada três comercializados no país. 

O número de participantes ativos foi de 515,35 mil em abril de 2022, contra 393,58 mil em abril de 2021, com um crescimento de 30,9%. As vendas de novas cotas somaram 77,20 mil de janeiro a abril de 2022, com uma evolução de 96,6%. 

O volume de crédito comercializado no primeiro quadrimestre do ano foi de R$ 12,52 bilhões, com um avanço de 55,9% sobre os R$ 8,03 bilhões do primeiro quadrimestre de 2021. O tíquete médio em abril último foi de R$ 151,65 mil, contra R$ 225,10 em abril de 2021 (retração de 32,6%).

As contemplações somaram 19,97 mil de janeiro a abril de 2022, crescendo 36,8% sobre as 14,60 mil contemplações do mesmo período de 2021. 

O volume de créditos disponibilizados de janeiro a abril foi de R$ 3,30 bilhões, contra R$ 2,99 bilhões em igual período de 2021, uma evolução de 10,4%.

Consórcio de caminhões durante a pandemia

Baseada em dados fornecidos pelas administradoras de consórcios que atuam no setor de veículos pesados, onde o transporte rodoviário de cargas está inserido, a assessoria econômica da Abc — Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios realizou pesquisa para avaliar o desempenho do mecanismo nesse segmento, durante a pandemia. 

O levantamento teve como foco os caminhões, considerando principalmente a intermodalidade e a integração das suas diversas categorias: dos extrapesados, que fazem os longos percursos e rodam pelas estradas, aos leves, que têm acesso às áreas urbanas.

Em março, as pessoas jurídicas representavam 52,4% dos consorciados, enquanto os autônomos atingiram 47,3%, e outros como, por exemplo, as cooperativas, chegaram a 0,3%. Em todos os casos, a opção pela modalidade está calcada no planejamento para troca e renovação de veículos ou ampliação de frotas.

 A análise revelou que, de março do ano passado até março deste ano, as adesões aos consórcios demonstraram crescimento. Enquanto naquele mês de 2021 somavam 7,92 mil novas cotas, no mesmo período de 2022 chegaram a 15,36 mil, registrando avanço de 94,0%. A média mensal, em doze meses, foi de 11,47 mil cotas, para um total de 137,64 mil adesões.

Ao aderirem ao mecanismo, empresas de transportes e autônomos, de acordo com suas áreas de atuação, optaram por créditos variando de R$ 120 mil a R$ 990 mil, ficando a média próxima aos R$ 390 mil. 

Entre as categorias mais retiradas, por ocasião da contemplação, estiveram os caminhões leves, com 23,0%; os médios, com 24,7%; os pesados, com 37,6%; e os extrapesados, com 14,7%.

Renovação da frota dá impulso

O levantamento apontou ainda que o maior volume de consorciados contemplados optou pela renovação da frota, com 65%, enquanto para ampliação foi de 35%. Em março, a maioria, 72,0%, decidiu pelos caminhões seminovos e 28,0% pelos novos. 

Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC, comenta que os resultados do levantamento apontam a potencialidade do mercado, visto que muitos veículos, negociados no ano passado, ainda serão entregues este ano. A Anfavea — Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, projeta a comercialização de 140 mil unidades, apontando um crescimento de 9,0% em 2022. 

Em março deste ano, o balanço dos consórcios de veículos pesados chegou a 487,59 mil participantes, dos quais dois terços (325,06 mil) têm como objetivo básico a aquisição de caminhões. O outro terço de consorciados visa a compra de máquinas e implementos agrícolas.

Ao considerar a capacidade dos veículos e sua movimentação, observou-se que 56,0% se destinam a entregas no varejo; 15,0% ao agronegócio; 2,5% à carga líquida, como combustíveis, gás, sucos; 2,5% à carga seca como madeira, eletroeletrônicos, construção; e 24,0% a outros tipos.