Começa dia 11 de agosto, em São Paulo, a Conferência Internacional da Cannabis Medicinal (CICMED). “É preciso sair do academicismo ortodoxo e abrir os olhos para essa ferramenta terapêutica que tem evidências de eficácia há milhares de anos”, explica a Dra. Paula Vinha, Nutróloga com Doutorado e Mestrado em Clínica Médica pela Universidade de Medicina da Ribeirão Preto (SP), e coordenadora Científica da CICMED.

A expectativa é receber 600 médicos e profissionais da saúde, além de 100 participantes no curso pré-conferência. Atualmente, o Brasil tem cerca de três mil médicos prescritores, o que representa apenas 1% da classe médica, segundo a Dra. Paula. “Muitos não sabem que todos os vertebrados têm um sistema endocanabinóide que regula processos fisiológicos, responsáveis pela homeostase do organismo. Esse desconhecimento inclui os médicos, já que a disciplina não está na grade curricular das faculdades de medicina”, pontua a médica.

Debate legal
A perseguição à planta foi iniciada na década de 1910 e segue até os dias de hoje, consolidando o preconceito e impedindo a expansão da prática, além de criar situações embaraçosas aos prescritores. “É como uma caça às bruxas”, define a coordenadora científica da CICMED, reforçando o papel primordial do evento em munir os profissionais de informações comprovadas sob a perspectiva científica.

Entre os nomes confirmados estão experts no assunto, como David Bearman, praticante de medicina canabinóide há mais de 20 anos; Mara Gordon, especialista no desenvolvimento de protocolos de tratamento da cannabis para pacientes críticos; Michael Barnes, pioneiro na prescrição de cannabis medicinal no Reino Unido; Raquel Peyraube, especialista em endocanabinologia e na política de drogas do Uruguai; e Carolina Nocetti, brasileira com experiência internacional nas aplicações clínicas.

A grade foi dividida por áreas médicas que incluem manejo, fitoquímica, farmacologia e biotecnologia, além de explanações sobre o sistema endocanabinóide, bem como o potencial para tratamento da dor.

Entre as especialidades médicas contempladas estão neurologia, psiquiatria, pediatria, cardiologia, endocrinologia, nutrologia, medicina esportiva, oncologia e cuidados paliativos. Bastante atual, o painel ministrado pelo canadense Igor Kovalchuk será dedicado à relação da cannabis medicinal com o vírus SARS-COV2.

Além dos temas médico-científicos, a programação reserva um importante espaço para debater o aspecto legal do uso medicinal da cannabis no Brasil. Na palestra de abertura, Leonardo Navarro, advogado, consultor jurídico e membro efetivo da Comissão Especial de Direito Médico e de Saúde, destacará a situação sob o ponto de vista do Direito, fazendo o contraponto entre o conflito ético e o dever do estado.

A Conferência também será palco para o lançamento oficial da Associação Panamericana de Medicina Canabinóide (APMC), fundada neste ano e com estande garantido na área de exposições da CICMED. Nesse espaço, os prescritores terão acesso a produtos à base de cannabis que estão disponíveis no Brasil, empresas que vendem óleos e outras que trabalham com educação canábica. “A ideia é termos um evento anual para atualizar os profissionais brasileiros em relação às boas práticas e atualizações científicas, da mesma forma que ocorre nas conferências de dermatologia, ortopedia, cardiologia e outras especialidades médicas. Queremos dar à cannabis medicinal a importância que ela merece no cenário médico-científico”, finaliza a Dra. Paula Vinha.

Serviço – I CICMED (Conferência Internacional da Cannabis Medicinal)
11, 12 e 13 de Agosto de 2022
Complexo dos hotéis Grand Mercure e Pulmann
Rua Olimpíadas, 205 – Vila Olímpia, São Paulo
www.cicmed.com.br