Como as mulheres estão na vanguarda da revolução da moda sustentável

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Celebrado mundialmente, o mês de março tem o objetivo de lembrar e reafirmar as conquistas femininas ao longo de mais de um século de ações marcadas por reivindicações de equidade econômica e política.

Terra é um substantivo feminino e, no dicionário, sinônimo de pátria, casa, lar. Gaia, da mitologia grega, é a personificação do planeta Terra, companheira de Urano (Céu) e mãe dos Titãs (gigantes), representada como uma mulher gigantesca e poderosa. Pachamama do quíchua andino é a mãe terra, aquela que sustenta tudo o que existe.

Nada mais natural que, em se tratando de cuidado com o planeta, fossem as mulheres a protagonizar a revolução da moda ética e sustentável.

A sustentabilidade é uma necessidade de sobrevivência, não mero conceito abstrato ou tendência fashion. A aclamada jornalista de moda norte-americana Dana Thomas, autora do livro “Fashionopolis – o preço do fast fashion e o futuro das roupas”, sobre os impactos ambientais e sociais deletérios da moda rápida, diz que “a poluição é a forma mais barata de gerir um negócio”. Mas, não é a mais inteligente, certamente, pois as consequências são devastadoras. E o modelo irracional de consumo estruturado em cadeias de suprimentos globais de baixo valor já está dando sinais de absoluta inviabilidade.

Em suas pesquisas para seu livro, Dana Thomas observou que as grandes iniciativas transformadoras para a indústria da moda eram majoritariamente capitaneadas por mulheres. Relatou a história de   Sarah Bellos, empresária de 33 anos do Tennessee, fundadora da Stone Creek Colours que está ressuscitando a cultura do índigo natural mais sustentável,  praticamente extinto para o uso industrial desde o início do século XX, substituído pelo índigo sintético, mais barato, menos suscetível às variações do clima, criado pela BASF – Badische Aniline Soda Fabrik que, no ano de 1914 aniquilou a produção do índigo natural.

Em 2016, sua marca era a única que produzia o índigo natural em escala industrial nos EUA, e até 2024, sonha em alcançar 2,8% do mercado mundial de jeans. Considerando que metade da população mundial possui ao menos um par jeans, é uma meta ambiciosa e de grande impacto social e ambiental.

Stacy Flinn, fundadora da Evrnu, empresa de inovações na área têxtil, criou uma fibra de alta performance e sustentável, feita inteiramente de peças de pós-consumo descartadas, revolucionando a produção circular.

Livia Firth, produtora executiva do filme: The true cost, documentário que descortinou os obscuros bastidores da produção para a indústria da moda e seus desatinos socioambientais. Em 2009 fundou a Ecoage, pioneira em soluções de sustentabilidade para marcas que pretendem aprimorar suas cadeias de produção.

No Brasil, a costureira Nelsa Nespolo, está à frente da Central de Cooperativas de algodão orgânico Justa Trama, maior cadeia produtiva no segmento de confecção da economia solidária do país, articulando mais de 600 cooperados e associados em 5 estados da Federação.

No Paraná a empresária Renata Amano, comanda a Associação Brasileira da Seda e vem implantando iniciativas para estimular o aumento da produção da seda brasileira, considerada a melhor do mundo, e sua produção, totalmente sustentável.

Em Curitiba, capital do design autoral, tampouco faltam exemplos de mulheres sustentáveis: Amanda Prussak, Thifany Faria, Heliosa Strobel, Felicia Pretto, Helen Piragine, e outras pioneiras e corajosas.

O patrimônio do luxo na moda hoje é a sustentabilidade e, as mulheres, suas protagonistas e guardiãs.

Ana Fábia R. de Oliveira F. Martins

Advogada especializada em Direito e Negócios Internacionais