Com nova maternidade, Estado amplia oferta de saúde em Guaratuba

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Foto: AEN

A história é recorrente em Guaratuba, no Litoral do Paraná. Em busca de uma estrutura de atendimento melhor, as gestantes da cidade se acostumaram a trocar o hospital público local pela Maternidade Darcy Vargas. Enfrentam 140 quilômetros de estrada para ir e voltar de Joinville por cerca de nove meses para fazer todo o pré-natal e também o parto na cidade catarinense.

Gerente de um supermercado na cidade, Reginaldo da Conceição Sales conta que a filha mais velha, hoje com dez anos, é uma “paranarina”, a mistura de paranaense com catarina. A esposa optou por ter todo o acompanhamento médico no estado vizinho, estratégia que não encontrou objeção no marido. “Era a melhor opção na época. A maternidade e o serviço de lá eram melhores do que tínhamos disponível aqui em Guaratuba”, conta.

O hiato estrutural, porém, está prestes a ser sanado. O Governo do Paraná autorizou a construção de uma nova maternidade em Guaratuba. As obras já começaram e devem ser concluídas no segundo semestre de 2021. O investimento da Secretaria de Estado da Saúde no espaço de 1.227 metros quadrados é de R$ 1,12 milhão.

“Saúde é uma das grandes preocupações do Estado e não pode ficar concentrada na capital ou em cidades maiores. Estamos potencializando os hospitais regionais e filantrópicos, os consórcios municipais para garantir que todos os paranaenses recebam o melhor cuidado possível”, afirma o governador Carlos Massa Ratinho Junior. “No caso de Guaratuba, para que as mães tenham toda a segurança de que estão sendo bem cuidadas e, assim, as crianças possam nascer com conforto e atendimento de qualidade”, acrescenta.

CADEIA DA SAÚDE – A inauguração da maternidade terá impacto em toda a cadeia da saúde de Guaratuba. O prédio da antiga Santa Casa, onde atualmente funciona o hospital e a maternidade da cidade, foi adquirido pelo município e será transformado em uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) do Centro. A intenção é diminuir o movimento na UBS de Caieiras, bairro bastante populoso do município, e melhorar o acesso da população da região central.

O complexo também vai sediar o novo Centro de Especialidades, que hoje funciona no Eliane-Nereidas. Com a mudança, a edificação se tornará mais uma Unidade Básica de Saúde para atender os moradores destes dois bairros. A iniciativa, explica o secretário municipal da Saúde de Guaratuba, Gabriel Modesto, permitirá, ainda, a implantação de mais duas equipes de Saúde da Família, chegando a 13 em toda a cidade.

“Como a maternidade está sendo construída ao lado do Pronto Socorro, Guaratuba passará a contar com um serviço de saúde 24 horas em um único lugar, otimizando os recursos e ampliando a qualidade e a oferta dos atendimentos”, explica o secretário.

ESTRUTURA – O projeto da maternidade começou a ser desenvolvido pela prefeitura em 2017. A unidade terá uma estrutura ampla e moderna, com novos equipamentos no setor cirúrgico, clínico, pediátrico e na maternidade. Contará com salas de estabilização, um centro para cirurgias de pequena e média complexidades e atenderá também emergências. Serão ao todo 30 leitos.

“As pessoas precisam receber o atendimento mais próximo das suas casas. Vamos atender o Paraná por inteiro, com serviços de qualidade em todas as regiões”, afirma o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

ESPERANÇA – É nisso que se apega a caixa de supermercado Jéssica de Moura Cunha. Mãe do pequeno Pedro Augusto, de 3 anos e meio, ela está grávida do segundo filho. A previsão é que a Ana Clara nasça até o dia 5 de janeiro. Ou seja, sem tempo hábil para ser assistida pela nova maternidade.

Mesmo assim, ela comemora. Sem cogitar pegar a rodovia para Joinville, usou a estrutura atualmente disponível enquanto aguarda o centro médico abrir as portas para a população.

“É claro que vai ficar melhor. Mais perto para as pessoas e também com oferta maior de médicos perderemos menos tempo. O hospital lá da Santa Casa é longe”, diz. “No período de fim de ano e verão, muita gente vem para Guaratuba e fica ainda mais difícil para quem mora aqui ser atendido. Estamos ansiosos por essa maternidade, para resolver esse problema logo”, complementa a dona de casa Deise Cristine Elias.
AEN