Semana de forte variação negativa para as ações do Ibovespa! A bolsa paulista encerrou a sexta-feira aos 48.559 pontos, queda de -7,75% em relação à sexta anterior.

João Marcello Tramujas Bassaneze

jmtb@fbadv.com.br

 

Abrindo a segunda-feira nos 52.646 pontos, apenas durante os primeiros quinze minutos de pregão o mercado se mostrou altista: exatamente às 10:13 da manhã o índice atingiu 53.669, pontuação esta que viria a ser a sua máxima diária e semanal. Daí até o começo da tarde de quinta, virando radicalmente a mão, o que presenciamos foi uma queda daquelas que podem ser qualificadas como "avassaladoras", pois dos citados 53.669 o índice desabou para 44.937 (mínima semanal), representando tal movimento um declínio de sonoros -16,27%, até que finalmente os investidores criaram um pouco de confiança e voltaram às compras, com a bolsa fechando a semana, como já disse, nos 48.559.

 

Em termos de variação percentual no comparativo entre um pregão qualquer da semana e o outro imediatamente anterior, quinta-feira nem chegou a registrar a maior queda destes últimos cinco dias, afinal tivemos em tal sessão um saldo de -2,58%, abaixo, portanto, dos -2,90% de terça e, principalmente, dos -3,19% de quarta. Ocorre que enquanto máxima e mínima de terça e quarta variaram, respectivamente, entre 52.944 e 50.911 (2.033 pontos) e entre 51.285 e 49.106 (2.179 pontos), na quinta o intervalo ficou entre 49.280 e 44.937 (4.343 pontos). Em outras palavras, dos 49.280 da abertura (também a máxima diária), o Ibovespa chegou a apresentar queda de -8,81%, muito próximo de acionar o mecanismo de proteção da Bovespa conhecido como "circuit breaker". O que salvou o dia foi que a partir daí a recuperação foi quase tão grande quanto o desastre: subida dos 44.397 aos 48.015, este o valor de fechamento!

 

No que tange à análise gráfica, o Ibovespa atingiu na quinta-feira um importantíssimo suporte de longo prazo, tendo lá se segurado. Estou me referindo à reta-suporte de longo prazo formada pela ligação entre os 17.601 de 10/05/04 e os 23.679 de 13/05/05. Em um primeiro teste, esta reta segurou a grande correção de maio / junho de 2006, quando então o índice caiu de 42.061 para 32.057 pontos. Àquela altura a reta passava pelos 32.500 / 600 pontos, da mesma forma como agora passa pelos 45.700 / 800.

 

Em junho do ano passado, numa situação gráfica bastante similar à atual, o mercado reagiu a partir dos citados 32.057, cabendo agora, portanto, questionar se dos 44.937 o Ibovespa irá novamente reagir. Não estou me referindo, obviamente, à minúscula reação momentânea dos 44.937 aos 48.559. O tema da indagação aqui é longo prazo. Respondendo, então, razões históricas levam a crer que sim, afinal o cenário que estamos neste momento presenciando não é inédito. A queda de maio / junho do ano passado deu-se nas exatas proporções da atual (-23,78% contra -22,91% de agora), sendo que em termos de número de pregões baixistas a comparação também pode ser feita: 24 sessões no ano passado contra 20 neste. E o que aconteceu depois que o Ibovespa chegou a 32.057 pontos? O mercado reverteu e acabou galgando 81,84% (32.057 a 58.293), isto em pouco mais de 14 meses (14 de junho de 2006 a 19 de agosto de 2007).

 

Acrescento ainda que a queda atual não tem similaridade apenas com a de 2006 – não obstante com esta tenha mais! Também da de 2005 ela não diverge tanto, pois dos 29.584 de 07/03/05 o Ibovespa caiu -19,96% para os 23.679 de 13/05/05. É certo que nesta oportunidade o número de pregões baixistas foi bem maior – 49 no total. A intensidade das perdas, no entanto, ficou na casa dos – 20%, tal como agora e também em 2006. E tal como em 2006 no que se refere aos 32.057, também em 2005 o mercado reagiu a partir dos 23.679, alcançando um ano depois (11/05/06) 42.061 pontos (77,63%).

 

Queda maior mesmo foi a de 2004, pois dos 24.518 de 10/01/04 aos 17.601 de 10/05/04 observou-se um declínio de -28,21%. Este movimento, no entanto, foi especial, conforme já terei a oportunidade de esclarecer. Esqueçamo-nos dele por ora e continuemos com a análise comparativa. Fiquemos por enquanto apenas com mais um dado histórico: após cair dos 24.518 para os 17.601, a recuperação do índice até os 29.584, antes de novamente cair, desta feita para os 23.679, foi de 68,08%.

 

Colocados todas estas informações, pergunto: seria de se esperar uma nova repetição do padrão de recuperação do Ibovespa, estando desta forma o mercado na largada de uma busca pelos 75 / 80 mil pontos (70% / 80% a partir de 44.937)? Se tem uma coisa que é certa em análise gráfica, em especial para quem segue a doutrina de Elliott como eu, é que padrões tendem a se repetir. O histórico aí demonstrado comprova isso: quedas semelhantes seguidas de recuperações também semelhantes! A questão que se coloca, todavia, é qual padrão está para ser seguido agora.

 

Disse linhas atrás que voltaria à correção de 2004 porque a considero especial. Pois bem! Para mim, olhando o Ibovespa a partir de 16 de outubro de 2002 (8.224 pontos), a queda de 2004 é um divisor de águas. Em outros termos, dos citados 8.224 de 16/10/02 aos 24.518 de 10/01/04 o índice fez um primeiro movimento altista. Desses 24.518 de 10/01/04 aos 17.601 de 10/05/04 teríamos experimentado uma primeira onda corretiva – a segunda onda da seqüência como um todo. Dos 17.601 de 10/05/04 aos 58.293 de 19 de agosto do mês passado, no entanto, seria tudo uma coisa só, ou seja, a terceira onda. As correções intermediárias mencionadas (a de 2005 e a de 2006) seriam correções internas a essa terceira onda, e não autênticas correções do ciclo de 2002, como efetivamente penso ter sido a de 2004.

 

Alguém poderia então objetar: "sendo assim, o que impediria que também a correção dos 58.293 fosse mais uma correção interna à terceira onda e, assim, atingidos os 44.937 estaríamos realmente já na busca por mais uma seqüência de 70% / 80% de ganhos?" Em princípio nada, mas, se assim fosse, no mínimo a contagem interna dessa terceira onda precisaria ser revista. Explico melhor: no atual estado de coisas, já é uma possibilidade concreta a existência de cinco ondas dentro dessa terceira onda: 1ª) 17.601 de 10/05/04 a 29.584 de 07/03/05; 2ª) 29.584 de 07/03/05 a 23.679 de 13/05/05; 3ª) 23.679 de 13/05/05 a 42.061 de 11/05/06; 4ª) 42.061 de 11/05/06 a 32.057 de 14/06/06; e, por fim, 5ª) 32.057 de 14/06/06 a 58.293 de 19/08/07. E, segundo o modelo teórico, não há sexta, sétima, oitava ondas, mas apenas cinco, pelo que então, em princípio (repito), a correção a partir dos 58.293 e a recuperação do mercado a partir dos 44.937 não poderiam ser mais uma reedição do que aconteceu desde os 17.601, pois estaríamos cogitando de uma sexta e sétima ondas.

 

Mas, e se uma nova alta realmente se iniciar a partir destes 44.937? Neste caso iria por terra a tese de que movimentos de impulso são formados por no máximo cinco ondas? Não necessariamente, pois o que teria que ser feito seria uma revisão da contagem interna dessa terceira onda. Algo como considerar uma primeira onda dos 17.601 aos 29.584 (tal como fiz até agora), uma segunda daí até os 23.679 (tal como também fiz até agora) e uma terceira, ainda incompleta, dos 23.679 em diante: eventual alta a partir dos 44.937 seria considerada como uma quinta onda interna à terceira onda do movimento total iniciado nos 17.601, o qual, por sua vez, é a terceira do ciclo de 2002, ao menos até que se prove em contrário.

 

Sintetizando a coluna, neste momento o Ibovespa (i) tanto pode ter encerrado nos 44.937 uma correção dos últimos 14 meses (movimento a partir dos 32.057 de 14/06/06 aos 58.293 de 19/08/07), estando agora em sua quinta da terceira da terceira onda do ciclo de 16/10/02 (8.224), hipótese na qual teria iniciado – nos 44.937 – uma subida com expectativa mínima de 10 – 12 meses e 70% / 80% de potencial valorização, (ii) quanto pode estar desenvolvendo a quarta onda (neste instante, ainda incompleta) do referido ciclo (2002), tendo como objetivos valores mais baixos do que esses 44.937. Seria razoável preferir um cenário em detrimento do outro? Acredito que não, mas confio que enquanto os preços se mantiverem acima da citada reta-suporte que partiu dos 17.601, a onda dos 17.601 ainda continuará a se desenvolver, sem que se cogite de onda 4 do ciclo maior (2002).

 

Existiria ainda um terceiro cenário: ao invés de estar caindo na quarta onda do ciclo de 2002, o índice estaria corrigindo todo esse ciclo: aquilo que estou considerando como sua primeira e segunda ondas (8.224 a 24.518 e 24.518 a 17.601) seria, em verdade, primeira à quarta: 1ª) 8.224 de 16/10/02 a 12.349 de 13/01/03; 2ª) 12.349 de 13/01/03 a 9.968 de 14/02/03; 3ª) 9.968 de 14/02/03 a 24.518 de 13/01/04; 4ª) 24.518 de 13/01/04 a 17.601 de 10/05/04. Daí em diante e até os 58.293 teria ocorrido uma quinta onda, estendida. Neste cenário, o mercado estaria buscando algo na faixa 20 / 25 mil pontos. Apesar de ser esta uma terceira possibilidade, ela não diverge muito da segunda, ao menos no que se refere à observação da reta-suporte, pois, evidentemente, também pressupõe a sua perda. Bem, seja correção do ciclo inteiro de 2002, seja da evolução posterior aos 17.601 de 2004, uma coisa é certa: tais possibilidades serão tão mais plausíveis de estarem acontecendo quanto vier a ser rompida a reta-suporte, principalmente se na seqüência ao rompimento os preços tentarem toca-la por baixo.

 

Deste modo, respondendo ao meu amigo Fernando Vernalha, que tanto me questionou na terça-feira na casa do também amigo Luiz Fernando Pereira durante o nosso jantar quinzenal, eu não faço previsões. Eu traço cenários possíveisbeijando qualquer coisa entre os 42 e os 32 mil pontos (com maior chance para os 36 / 37 mil), objetivos para correção dos 17.601. Não estou dizendo que isso vai acontecer! Como afirmado, não faço previsões, mas apresento cenários possíveis, baseados em modelo teórico que confio. Pra resumir a conversa, estou de olho nessa reta-suporte de longo prazo. de acontecer segundo o modelo teórico de Elliott, em especial. Nesse sentido, não me causaria nenhuma surpresa se daqui a 30 / 60 dias o índice estivesse

 

O fato do mercado ter repicado a partir dos 45 mil não é uma certeza de que os bons tempos definitivamente estão de volta. Se era para uma queda maior rumo aos 36 / 37 mil (um dos objetivos para uma eventual quarta onda do ciclo de 2002) dar um tempo, tal tinha tudo para ocorrer justamente nessa faixa. A amigos (como o Fernando, acima citado) tinha inclusive sugerido no início da semana os 46 mil como um bom ponto para compras. Advirto tais amigos, no entanto, a ficarem espertos, pois "compras" podem ter várias finalidades: uma delas é para repiques! Espero que eles tenham entendido, ao menos por enquanto, a coisa como tal (repique).

 

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