Foto: Albari Rosa/AEN

Uma vez por semana a equipe multidisciplinar da Unidade Básica de Saúde (UBS) João Hamilton Belo, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, visita 15 pacientes nos lares da cidade que necessitam de atendimento médico, onde moram pessoas que, por dificuldades diversas, não conseguem se deslocar até aos hospitais ou UBS. É parte da Estratégia da Saúde da Família (ESF), um dos caminhos para uma estreita relação entre paciente e equipes médicas.

Evandir Simão de Deus, de 69 anos, que tem esquizofrenia e epilepsia, é um deles. Ele recebe atendimento domiciliar. “A equipe que vem até a minha casa é o braço direito da gente. Preciso do trabalho deles para que meu irmão seja tratado. Tiro minhas dúvidas e a qualidade de vida dele é bem melhor, pois, como é acamado, eu não conseguiria levá-lo para os atendimentos necessários”, disse Ângela Simão de Deus, irmã de Evandir.

A equipe é formada por um médico, um profissional de enfermagem e um agente comunitário. Essa é a chamada porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), considerada uma estratégia para a organização e o fortalecimento da Atenção Básica de Saúde (APS).

As visitas são feitas mensalmente e caso haja necessidade é feito encaminhamento de um especialista para se juntar à equipe. Essa proposta visa a compreensão do contexto familiar, no ambiente em que o paciente vive, em sua comunidade. “As visitas me deixam mais tranquila e quando tenho alguma dúvida ou surge alguma coisa diferente eu vou até à UBS física para falar diretamente com o médico”, acrescentou Ângela.

Anderson Peruzzo, de 32 anos, que sofre de sequelas de um acidente traumático, é outro paciente atendido pela equipe de Campina Grande do Sul. “Não temos como locomover o meu filho, pois é difícil. Os médicos ajudam, vêm até aqui, consultam e acompanham a evolução dele. Precisando, eles sempre atendem meu filho”, disse Antônio, pai do paciente.

Segundo a médica Viviane Helena Raimundo, que atende os dois pacientes, esse trabalho é fundamental para amparar os doentes. “Fazemos essas visitas semanalmente, com o acompanhamento das doenças crônicas, e quando necessário chamamos um médico especialista e fazemos o encaminhamento. Se esses pacientes não tivessem atendimento domiciliar seria bem mais difícil para eles terem o acompanhamento na Unidade de Saúde, pois são acamados. Essa logística é simplificada com a nossa visita”, afirmou.

De janeiro até abril já foram atendidas 8.005 famílias em suas casas, segundo levantamento da Secretaria de Saúde. No ano passado foram 23.509 atendimentos domiciliares, de acordo com o Sistema de Informação da Atenção Básica (Sisab).

Com o cenário pós-pandemia, estima-se que 1/3 de toda população em cada cidade paranaense será atendida somente com estes profissionais. Além dos pacientes acamados, a equipe multiprofissional também atende pessoas para verificação do diabetes, hipertensão, colocando em dia as orientações sobre saúde, a carteira de vacinação, e acompanhando, ainda, questões de saúde mental.

Ou seja, o atendimento domiciliar das equipes de saúde vem ganhando cada vez mais importância. Essa é uma das prerrogativas implantadas pelo Governo do Estado para o fortalecimento da regionalização, com o objetivo de diminuir distâncias, assegurando uma ampla rede assistencial.

CHEGAR MAIS LONGE – E chegar a esses locais, muitas vezes de difícil acesso, ficou mais fácil a partir deste ano. O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde (Sesa), investiu mais de R$ 51,2 milhões com a compra de 1.485 carros para esta finalidade, doados de maneira definitiva aos 399 municípios. Com este reforço na frota, as equipes municipais podem ampliar o número de atendimentos domiciliares. A divisão dos carros foi feita de acordo com o número de equipes da Saúde da Família em cada cidade.

Foi maior renovação da frota da Saúde no Paraná. Essa é uma política que tem caráter permanente, requerendo, de tempos em tempos, renovação tecnológica e de logística. Os carros 0 km são modelo Gol, da Volkswagen, e têm motor 1.0, ar-condicionado, direção hidráulica e quatro portas. Só para o município de Campina Grande do Sul foram destinados quatro automóveis, num investimento de R$ 138 mil.

“Descentralizar o serviço de saúde e levar o atendimento até quem mais precisa, não deixando ninguém desassistido, são as prioridades do Estado. O investimento feito dá maior mobilidade para os profissionais de Saúde e assim podem cumprir a agenda das consultas”, disse o secretário de Saúde, César Neves. “Se cada um destes carros fizer cinco visitas domiciliares diárias, serão milhares em todos os municípios todos os dias. Durante a pandemia tivemos de restringir algumas visitas, mas agora estamos com nossas equipes dando suporte físico e psicológico”.

Outro exemplos está em Rio Negro, também na Região Metropolitana de Curitiba, que também recebeu investimento de R$ 138 mil. “Recebemos quatro veículos, um destinado ao distrito de Lageado dos Vieiras e arredores, com uma população de 3,5 mil habitantes, e os outros três para as três unidades (bairros Alto Novo, Vila Militar e Bossi) que atendem uma população de 15 mil habitantes”, completou Simone Angélica Gondro, secretária municipal de Saúde. “Eles estão em uso desde a primeira semana que chegaram ao município e estamos bem felizes com o investimento”.

Com AEN