Brasil colhe a safra das safras em 2020

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Clima perfeito, técnica e conhecimento prometem excelentes vinhos no país para este ano

Osvaldo Nascimento Junior

Conforme dados publicados pela Revista Wine, o ano de 2020 tem tudo para entrar na história da viticultura no Brasil. As condições climáticas favoráveis, aliadas aos avanços técnicos obtidos pelos viticultores, foram determinantes para considerar essa a melhor safra de todos os tempos. O anúncio foi feito por Daniel Salvador, enólogo e presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE) “Estamos diante da safra das safras”, comemora. Boa parte das vindimas do país ocorre em março e neste ano, as chuvas caíram na hora certa, evitando o estresse hídrico das vinhas e permitindo aos produtores colher as uvas em ótimo grau de maturação, quando chegam perfeitas às vinícolas completamente maduras e sem doenças. Quem ganha com esse verdadeiro presente da natureza são os vinhos. Para o enólogo Salvador, as vinícolas brasileiras terão a possibilidade de alcançar um novo patamar na produção, até porque tantas vinícolas quanto enólogos nunca estiveram tão bem preparados tecnicamente. A partir dessa safra de alta qualidade, certamente vão surgir ótimos vinhos, com novas propostas e estilos. “Este ano a mãe natureza fez sua parte de forma esplêndida, agora nós enólogos, precisamos ter a sensibilidade e o conhecimento para gerar o melhor vinho com equilíbrio e sintonia”, projeta o enólogo Salvador. Tudo indica que vai valer a pena esperar para degustar.

 

SUPERAMOS A BARREIRA DE DOIS LITROS POR PESSOA

Nova vitória vínica de nosso país, de acordo com a colunista de vinhos do Jornal O Estado de São Paulo, Suzana Barelli em sua coluna LEVIN FILOSOFIA, tabulado os dados de 2019, no entanto veio a surpresa. Chegamos finalmente aos 2.13 litros de vinho por habitante (calculando apenas os maiores de 18 anos) É um pequeno aumento, mas que rompeu enfim, a barreira dos 02,0 litros mantida a muitos anos. Em 2019 foram bebidos um total de 380,4 milhões de litros de vinho, entre os quais 69% são de rótulos nacionais, aqui incluídos os vinhos finos (uvas Vitis Viniferas), e aqueles chamados “de mesa”, vinhos elaborados com uvas não viniferas, legalmente denominados, (os dados levam em conta ambos), os vinhos de garrafão dos quais o “Sangue de boi” da Vinícola Aurora de Bento Gonçalves(RS) a maior do Brasil, é uma das marcas campeã. Em princípio poderia se esperar uma gradual migração desse consumidor para os vinhos de uvas viníferas, chamados “vinhos finos”. Independente do preço, isso não vem acontecendo por serem produtos distintos e paladares diferentes. “Esse, bem ou mal, bebe vinho.” É um recorde histórico, que aconteceu em um ano em que a economia não cresceu”, comenta Felipe Galtaroça, da  Ideal Consulting, responsável pelo cálculo. Talvez por isso, além de estar bebendo (um pouco mais) o brasileiro também está escolhendo vinhos mais baratos. Galtaroça conta que 25% de nosso mercado é formado por garrafas vendidas até R$25,00. O valor médio do vinho importado no ponto de venda é de R$45,00. Se pensarmos em todos os custos que incidem sobre uma garrafa, como imposto de importação, frete, rótulos etc.,etc, estamos bebendo tintos, brancos e rosados que raramente superam o preço de USD2,00 a garrafa nas vinícolas, graças as importações de nossos hermanos  a questão é o consumo e a cultura vínica no país, papel que os Sommeliers fazem nas poucas adegas que os mantém, ministrando cursos e palestras para uma maior divulgação do mundo vínico,e que os empresários do varejo não avaliam este trabalho, que a cada ano melhora elaborando vinhos de qualidade tanto no Vale dos Vinhedos no RS, que já obteve o galardão de Denominação de Origem, já constando o índice de melhores regiões vinícolas do planeta para o Enoturismo (você já conhece? Vai lá, se maravilhe!), a região de Campanha fronteira com o Uruguai, e a nova região do Paralelo 8, Bahia e Pernambuco, dois Estados no Vale do São Francisco, Juazeiro e Petrolina, divididos por uma ponte é o novo terroir (DNA) de vinhos do Brasil já com vinhos premiados. A desvalorização do Real frente ao dólar americano também deve incentivar essa tendência, já que a alta desta moeda deixa os preços mais caros aqui. O desafio é que além da pandemia do coronavírus que estamos enfrentando, que destruiu nossa economia e ceifou milhares de vida lamentavelmente neste ano de 2020, a esperança é que o consumo não volte para baixo dos 2 litros per capita. Esta é a situação que estamos vivendo no nosso mundo vínico neste ano de 2020 em rápidas linhas. Mas, como vivemos de fé e esperança, estamos vencendo com fé e coragem, amem. Saúde. É lamentável que num país como o nosso com um litoral de 8.500 kms de praias maravilhosas, com um Nordeste encantador por suas belezas e calor o ano todo, tenhamos um consumo tão baixo de uma bebida que só faz bem a saúde, ajuda a digestão e prolonga a vida. Evoe. Brado de saudação a Baco por seus súditos. Wine in Moderation. Art de Vivre.

Osvaldo Nascimento Junior é advogado, empresário, enófilo, sommelier, consultor e orador em mais de 200 cursos, palestras e encontros ministrados nestes 25 anos de estudos. Professor dos Cursos de Vinhos da Universidade Livre do Comércio (ULC) da Associação Comercial do Paraná, colunista no Diário Indústria & Comércio, há 11 anos, tem mais de 500 artigos publicados. Autor do sucesso Vinum Vita Est: a História Vista Pelo Vinho.