Para os que se acostumaram a ouvir a informação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não pune ninguém, a decisão de enquadrar os 40 envolvidos no processo  dos “mensaleiros”, sinaliza para uma postura diferente. 

PEDRO WASHINGTON    E.mail: prpress@terra.com.brPara os que se acostumaram a ouvir a informação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não pune ninguém, a decisão de enquadrar os 40 envolvidos no processo  dos “mensaleiros”, sinaliza para uma postura diferente.  Até porque neles estão algumas das maiores estrelas do PT e de partidos afinados com o governo do presidente Lula. Pode-se mesmo afirmar com convicção que, entre alguns fatos que desabonaram o primeiro período do presidente, este certamente foi o mais grave. Enquanto o episódio engrandece a postura do Procurador Geral da República pela independência demonstrada, representa um recado dos ministros do STF de que “as instituições estão funcionando” e ninguém está acima da lei. Claro que, a necessidade de se levar o assunto à apreciação do STF deveu-se à omissão de outros segmentos como a Câmara Federal que, depois de uma CPI dos Correios em que tudo veio à tona, omitiu-se na punição aos que tinham culpa comprovada. Com suas entranhas expostas pelo escândalo, sua postura ajudou a desmoralizar a instituição. Dá a expectativa gerada no pronunciamento do STF. Outras situações contribuíram para o descrédito popular, inclusive a postura do governo tentando defender o indefensável, isto é o fato de que o cerne da questão passava pelos gabinetes contíguos ao do Presidente que, desde então adotou a postura de  “não saber de nada”. Também o partido, o PT, ao não depurar seus quadros sob a alegação de que tudo não passava de perseguição política, além de perder a aura de seriedade que sempre vendeu, também contribuiu para afundar ainda mais o conceito de agremiações partidárias, recebendo a maioria deles, com alguma razão a pecha de “partidos de aluguel”. Andaram bem os ministros do STF  ao recuperarem um pouco da credibilidade que a nossa ainda incipiente democracia precisa, para se consolidar. Novela

Mais um capítulo da novela em que se transformou a tentativa de derrubar a multa ao governo paranaense pelo não pagamento dos títulos podres do Banestado. Uma nova emenda, agora anexada à MP 376 por iniciativa do deputado Osmar Serraglio, foi derrubada no plenário da Câmara Federal.

 

Protesto

A pauta de reivindicações que os professores apresentaram ao governo e o “Dia de Luto e Luta dos Educadores Paranaenses” relembrando um episódio ocorrido há 19 anos atrás, no enfrentamento entre governo e professores, deixou ontem 1,5 milhão de alunos sem aula nos estabelecimentos de ensino estaduais.

Prós e contras

Caminha para o “perigoso caminho da galhofa”, para nos apropriarmos de uma expressão do saudoso Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) que tanta faz falta faz nos dias de hoje, a disputa entre a opinião do bairro curitibano Bacacheri ante o projeto aprovado pela Câmara Municipal que prevê a escultura de uma vaca no portal do bairro a ser construído. 

Lenda

Contada ontem aqui, a escultura do paquiderme faz referência a uma lenda que teria dado nome ao bairro. A de um sitiante estrangeiro que saía pela região perguntando por animal de estimação desaparecido: a “baca” Cherry (Querida). 

Monopólio rendoso

O desbaratamento de uma quadrilha formada por proprietários de postos de gasolina na região de Londrina por formação de cartel, isto é, a prática de preço igual combinado entre eles, coloca a nu outra situação. Diante do fantástico lucro obtido pelo Petrobrás, nenhuma medida é adotada por vender ela o combustível tido como entre os mais caros do planeta Terra. Passivo para o futuroA afirmação da presidente da Associação dos Procuradores do Estado do Paraná cria mais uma preocupação para o contribuinte: “Cada vez que se mexe no contrato do pedágio cria-se um passivo que será pago no futuro”. São mais de 300 medidas judiciais, entre ações do governo, MP a ações populares, mais esta recente que libera a passagem a carros emplacados em cidades com praças de pedágio.   

Acordo: a alternativa

Se derrotada mais esta na Justiça pela ABCR – o governo e outros não ganharam nenhuma até agora – o passivo já se torna incalculável, “mas um dia será pago”, é a única certeza. Uma forma de solução, entendem juristas,  é um acordo entre governo e concessionárias, coisa que o atual  governo não cogita.  

Sem explicações

Ainda sem uma explicação esclarecedora, ficam no ar as indagações: o que teria levado o diretor da Imprensa Oficial, João Formighieri a pedir demissão. No cargo desde o início do mandato anterior do governador Requião, João entregou o cargo ao Chefe da Casa Civil Rafael Iatauro.     

Espera cansativa

Cansado de esperar a liberação de recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano, retidos pelo governo estadual para obras importantes programadas em Curitiba, o prefeito curitibano Beto Richa  resolveu assumir as obras por conta própria.  Manobra políticaA decisão deve-se à constatação de que a liberação só ocorrerá às vésperas da eleição de 2008 (Beto e Requião estão rompidos desde 2006) sem tempo para beneficiar eleitoralmente o prefeito candidato à reeleição.  Em choqueDo presidente, deputado Nelson Justus, depois de reunião com o Procurador Geral da Justiça, Milton Riquelme, em busca de informações sobre a limitação de poderes da instituição, em discussão na AL: “Foi uma reunião amistosa, fidalga e de cortesia para mostrar que não existe animosidade entre os poderes (MP e Assembléia)