BOLSONARO DESABA

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Pesquisa divulgada pela revista Exame feita pelo instituto IDEIA mostra que caiu de 37% para 26%, na última semana, a aprovação à gestão do presidente Jair Bolsonaro. É a maior queda semanal registrada pelo instituto desde o início do atual governo. A crise em Manaus, com o desabastecimento de oxigênio em hospitais, a indefinição no calendário de vacinação e o fim do auxílio emergencial são os principais motivos da queda, de acordo com os organizadores da pesquisa.

Já a desaprovação ao governo saltou de 37% para 45% desde o último dia 14. A rejeição do presidente é maior nos estratos de maior renda e de maior escolaridade. Entre os que ganham mais de cinco salários-mínimos, 58% não aprovam a gestão do presidente. No grupo dos que têm ensino superior, 64% desaprovam o governo federal.

“A dinâmica dos sérios problemas em Manaus junto a falta de perspectivas sobre um cronograma de vacinação e o fim do auxílio emergencial constituem os principais fatores que levam à queda de popularidade do presidente”, diz Maurício Moura, fundador do IDEIA.

O levantamento foi realizado por telefone, em todas as regiões do país, entre os dias 18 e 21 de janeiro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

PREOCUPAÇÃO

Em carta, 16 governadores pedem ao governo federal que facilite a compra direta de vacinas e insumos por estados e municípios. Preocupados com o avanço da pandemia e crescimento do número de mortos, querem tomar a iniciativa que o governo Bolsonaro não assume ou não consegue assumir por conta de sua desastrosa política externa.

LEAL A BOLSONARO

O governador do Paraná, Ratinho Jr. não assinou a carta. Seu secretário Beto Preto descartou qualquer possibilidade de adquirir vacina por conta própria. Teme desapontar Jair Bolsonaro, de quem é seguidor de carteirinha. Assim, Ratinho Jr destoa completamente dos governadores que vão emergindo como novas lideranças fortes e acreditadas no país. Entre eles, Romeu Zema, de Minas Gerais; Camilo Santana,, do Ceará; Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul; e João Dória, de São Paulo.

INSANIDADE

Apesar da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o presidente Jair Bolsonaro segue afirmando que a coronavac não em eficácia comprovada. Ele disse nesta nesta sexta-feira, 22, que “não há nada comprovado cientificamente sobre essa vacina aí”. Bolsonaro deu a declaração a jornalistas na porta do Palácio da Alvorada. Ele repetiu, como tem feito nas últimas semanas, que a vacinação não será obrigatória.

E A VACINA, MOURÃO?

O vice-presidente Hamilton Mourão declarou que furar a fila da vacinação é “falta de solidariedade” e “até de caráter”. Ele ainda pediu que as pessoas se conscientizem sobre a importância de obedecer a ordem de prioridades para vacinação contra a Covid-19. O Ministério Público investiga suspeitas de pessoas furando a fila em pelo menos 12 estados e no Distrito Federal. Mas o general vice-presidente da República não diz nada, não se explica sobre a falta de vacina.

PRIVATIZAÇÃO

Ao mesmo tempo que o governo Ratinho Jr recebe pressão para liberar o aumento das tarifas da Sanepar, a Ágora Investimentos rebaixou a recomendação para venda das ações Sanepar (SAPR11) após a Agepar (Agência Reguladora do Paraná) revisar os marcos regulatórios para 2021. O preço-alvo é de R$ 22. Em tudo isso, a oposição percebe forte cheiro de privatização da estatal nos bastidores do governo. Acredita que tudo não passa de uma encenação programada com a participação do governo.

MAIS UM GENERAL

Perceberam como temos muitos generais da reserva ou da ativa disponíveis para assumir cargos no poder. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, levou mais um para sua equipe, o general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes, que atuará como assessor do Departamento de Logística em Saúde da Secretaria Executiva da pasta.

AJUDAR O INCOMPETENTE

O ministério vem acumulando erros sucessivos de logística, planejamento e gestão, que são áreas de especialidade de Pazuello, durante a pandemia do novo coronavírus no País, com destaque para o atraso na aquisição de vacinas contra a covid-19 e na lentidão de ações que poderiam ajudar a evitar o colapso na saúde em Manaus.

ESNOBOU A CHINA

Pois, pois, pagamos preço alto pela soberba e ignorância do governo Bolsonaro. O governo faltou a um encontro entre chanceleres latino-americanos e a China, em julho do ano passado. Na pauta: o acesso da região às vacinas que seriam produzidas no país asiático e o anúncio de uma linha de crédito de US$ 1 bilhão para permitir que os governos da América Latina pudessem ter acesso aos produtos. Naquele momento, a ausência do Brasil causou indignação no meio científico nacional. Em Pequim, a decisão do Brasil de não aderir à coordenação foi recebida como um sinal de que o governo federal não estava interessado em negociar um maior acesso acesso a vacinas ou insumos.

DENÚNCIA NA OEA

A OAB Nacional encaminhou, nesta quinta-feira (21), denúncia ao presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização de Estados Americanos (OEA), Joel Hernández García, solicitando a apuração dos atos praticados pelo Estado Brasileiro atentatórios aos direitos humanos no contexto da pandemia instaurada pelo novo coronavírus. O documento aponta que o Executivo Federal, “consubstanciado nas figuras do presidente da República e do Ministro da Saúde, foi diretamente responsável pelo contorno catastrófico que a pandemia assumiu no Brasil”.

FORD NA JUSTIÇA

A montadora norte-americana Ford manterá no país um grande número de processos trabalhistas. Nos últimos cinco anos, foram movidas 4.928 ações contra a companhia – a maioria delas, 3.535 ainda está em andamento no Judiciário (sem decisão definitiva ou em fase de execução e liquidação). Os trabalhadores foram atendidos em 2.312 processos já julgados e tiveram seus pedidos rejeitados em 783. Os dados são do Lee Brock Camargo Advogados. São Paulo representa o maior número de ações – 2.697 todas ajuizadas em cinco anos.

OLHO NO FUTURO

Proibido pelo STF de disputar a reeleição para a presidência da Câmara, Rodrigo Maia trabalha arduamente na eleição de Baleia Rossi (MDB-SP), representante do Centrão. Se a operação for bem sucedida, pode virar um ensaio para 2022. Mas, em nenhum momento até agora, Maia admitiu estar de olho na Presidência. É o vice do sonho de vários pré-candidatos, mas sua desenvoltura política indica que não pretende ser vice de ninguém, menos ainda neófitos da política. Seu nome é sempre lembrado: é aberto tanto à esquerda quanto à direita.

HERANÇA

Como resultado da pandemia, Donald Trump deixa uma taxa de desemprego quase duas vezes maior do que a de um ano atrás – e muito acima de quando ele assumiu, com mais de 10 milhões de desempregados. E com a pandemia descontrolada, as pessoas continuaram perdendo seus empregos.

ASSOPRA E MORDE

O vice-presidente general Hamilton Mourão voltou à sua estratégia de “assopra e morde”. Nesses dias, do nada, resolveu colocar em dúvida a própria candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição: “Ele pode chegar à conclusão. Não vai dar para miM”.

DERRUBAR O VETO

Baleia Rossi lançou uma isca para ter os votos da bancada do transporte. Uma vez eleito presidente da Câmara, garante que vai trabalhar para derrubar o veto de Jair Bolsonaro ao projeto de lei 3364/20. Trata-se da proposta que prevê repasse de R$ 4 bilhões para empresas de ônibus e concessionárias do metrô, duramente afetadas pela pandemia. Desde março, as perdas acumuladas dos dois segmentos já passam dos R$ 16 bilhões.

NOTEBOOKS 

Os notebooks dominaram as vendas dos eletroeletrônicos em 2020, por conta da pandemia, incluindo máquinas mais caras e robustas. O salto da demanda levou fabricantes a aumentar e reorganizar a produção no país, abrindo mais espaço para fabricar notebooks em detrimentos de máquinas coorporativas ou mesmo smartphones. Dados da consultoria GFK mostram que a participação dos notebooks que partem de R$ 6 mil nas vendas totais desse tipo de computador subiu de 1,7% em 2019 para 4,2% em 2020.

2ª DOSE

Governos estaduais estão redistribuindo apenas metade das vacinas de Coronavac aos seus municípios e guardando o restante para garantir a aplicação da segunda dose no intervalo recomendado. A orientação do governo  federal foi para que se respeitasse o intervalo de 21 a 28 dias, tanto que a sugestão foi que os Estados pudessem reter metade das doses para fazer uma segunda entrega. Alguns Estados, porém, optaram por enviar de uma vez todos os imunizantes proporcionais a cada cidade.

EM CIMA

Apenas na semana passada, o embaixador brasileiro em Nova Déli, André Aranha Corrêa do Lago, teria sido acionado pelo Itamaraty para negociar com o governo indiano a aquisição da vacina de Oxford/ AstraZeneca. O resultado foi aquele.

FRASES

“A Coronavac não em eficácia comprovada.”

Jair Bolsonaro, depois da Anvisa aprovar o uo da vacina.