Os artistas contemplados com programa Bolsa Produção para Artes Visuais estão trabalhando nos projetos que abordam temas como a cidade, pichações e novas tecnologias.


Doze artistas curitibanos contemplados em 2006, na segunda edição do programa Bolsa Produção para Artes Visuais, desenvolvido pela Fundação Cultural de Curitiba com recursos do Fundo Municipal da Cultura, já estão em fase de produção dos trabalhos. Essa etapa encerra no mês de novembro. A abertura da mostra está prevista para o início de 2008. O programa Bolsa Produção para Artes Visuais é inédito e foi concebido com o objetivo de incentivar diretamente as manifestações de artes visuais desenvolvidas em Curitiba. Entre os trabalhos estão dois de escultura, dois de fotografia, dois de gravura e seis de outras modalidades de livre escolha dos participantes. Com focos e temas distintos, esses projetos possuem em comum a utilização das novas tecnologias, como a internet, e o aproveitamento de elementos urbanos, como as pichações. De acordo com o diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba, José Roberto Lança, a primeira edição do projeto foi bem recebida pelo público e pela crítica, o que gerou interesse em uma nova edição. “Os artistas conheceram o formato do projeto e constataram o impacto que ele teve na produção local, o que acabou criando interesse por parte da comunidade artística”, diz. Na área de escultura estão os trabalhos “Polissemia”, de Bruno Pepplow Tomé, e “Cheio e Vazio”, de Márcio Montoril Prado. O primeiro utiliza metal, acrílico, madeira, gesso e cimento para modificar o conceito estético de uma escultura, mudando a escala e a relação ergonômica do corpo com o objeto. Esses objetos terão dimensões que variam de poucos centímetros até muitos metros de comprimento ou altura. Junto com essa produção está sendo feito um acompanhamento fotográfico do trabalho. O outro, de Márcio Prado, trabalha com instalações de formas geométricas carregadas de simbologia. Em fotografia estão “Curitiba a perder de vista”, de Felipe Cardoso de Mello Prando, e “atroCIDADE”, de Fábio Follador. O primeiro trabalho procura discutir o espaço urbano de Curitiba, sejam bairros, paisagens, arquiteturas e objetos, anterior às transformações da década de 90. Já o “atroCIDADE” trabalha com a cidade no presente por meio de imagens do passado (preto e branco). A idéia é realizar registros do calçadão da Rua XV, do terminal Guadalupe e de outros locais de grande circulação que representam a agitação e a violência de grandes cidades. Com uma câmera fotográfica e de vídeo, as imagens das pessoas que freqüentam esses espaços serão aliadas a uma técnica do século XVII, quando os artistas utilizavam câmaras escuras de grandes dimensões, onde se podia ver e desenhar a imagem exterior que nela estava projetada. A intenção é mostrar a Curitiba contemporânea como se estivesse no passado. Na gravura, Lahir Pereira Ramos com “Imagem Construída” e Fernando Rosenbaum com “Transposição”. Os dois trabalhos são baseados em pichações. O primeiro usa a gravura tradicional (em metal) e outras linguagens. O desenho é feito em metal pela técnica de ponta seca (risco direto no metal). Depois disso, a artista insere na obra imagens fotografadas em espaços urbanos, como as pichações. “É uma fusão do meu desenho com o de fora. Assim crio novas imagens, um espaço ilusório. Não se sabe onde termina a minha obra e começa a do outro”, diz Lahir Pereira Ramos.O trabalho de Fernando Rosenbaum também possui um olhar voltado à pichação. Ele apresenta a paisagem urbana em escala natural com base nas manifestações feitas por artistas urbanos. O artista fotografa uma manifestação no centro histórico da cidade e a coloca em outro ponto da cidade, ou no mesmo, mas em períodos diferentes. “Um resgate da memória e uma forma de cristalizar o tempo. As ações na rua mostram como as pessoas usam a cidade”, diz.            Livre escolha – A categoria livre escolha contemplou seis projetos. O trabalho de Tony Ramos de Camargo, “Os Desencontros da Imagem”, explora a relação da linguagem fotográfica com a pictórica. A proposta é realizar uma série de objetos híbridos com partes ou peças tridimensionais. As artistas Lívia Carolina Piantavini e Tatiana Stropp (única dupla contemplada), com o projeto “Comentários da Pintura”, têm o objetivo de desenvolver uma pesquisa plástica e teórica sobre a pintura como linguagem contemporânea. Em “Pintura Contemporânea”, de Felipe Scandelari, serão realizadas pinturas que utilizam temas do cotidiano que normalmente não servem como modelo, como, por exemplo, uma escova de dentes ou uma lixeira. Esses objetos ganharam grandes proporções com o objetivo de criar um impacto visual. Rodrigo Stromberg Guinski, com o projeto “Xilogravura Com Uso de Narrativa Gráfica”, tem como objetivo criar uma novela gráfica com 12 páginas em xilogravura. O tema da primeira narrativa é “1 Dia” – um dia na vida do homem moderno. A história será uma fragmentação do cotidiano do personagem, a rotina, as relações pessoais e a tecnologia.

Em “Convite ao Largo da Ordem”, a artista Isabel Sobrino Porto Perrone reproduz o bebedouro da Praça Coronel Enéas por meio de instalações multimídia. O bebedouro será reconstruído em escala real e no seu interior será transmitido um vídeo. O artista Daniel Duda, com “Caracteres”, trabalha com uma pesquisa em vídeoarte, apresentando as relações emocionais humanas com o fenômeno da internet.