O pagamento de tarifas feito pelos clientes do Banco do Brasil foi mais do que suficiente para cobrir todos os salários dos mais de 79 mil funcionários da instituição.

O pagamento de tarifas feito pelos clientes do Banco do Brasil foi mais do que suficiente para cobrir todos os salários dos mais de 79 mil funcionários da instituição financeira no primeiro semestre do ano. Entre janeiro e junho, as receitas com prestação de serviço totalizaram R$ 4,814 bilhões. O valor representa 110,1% da despesa com pessoal, ou seja, com o arrecadado foi possível pagar toda a folha de salários de R$ 4,372 bilhões e ainda sobrou dinheiro.

O Banco do Brasil anunciou ontem que registrou lucro líquido de R$ 2,5 bilhões no primeiro semestre de 2007. O resultado é 36,3% menor que o obtido no primeiro semestre de 2006. Na comparação com o resultado do semestre imediatamente anterior, o lucro no período representa um crescimento de 14,9%.

As receitas com tarifas tiveram no semestre um crescimento de 10,7%. Para Antônio Lima Neto, presidente do Banco do Brasil, isso foi possível graças aos pacotes de serviços oferecidos a um público mais segmentado. "O Banco do Brasil jamais vai extorquir os nossos camaradas com tarifas. Por isso o crescimento na segmentação", afirmou.

Para Lima Neto, o fato de o Banco do Brasil ser um banco público não retira dele a obrigação de ser rentável e de buscar novos mercados. Como exemplo, ele cita as operações de crédito voltadas para a aquisição de veículos. O crescimento foi de 304,5% no semestre, para R$ 2,2 bilhões. A instituição passou a oferecer esse serviço só no final de 2005.

Embora busque o lucro, ele lembrou que o Banco do Brasil atua em setores "imperfeitos" do sistema financeiro no Brasil, como as localidades distantes e a agricultura familiar.

Ainda fazendo uma comparação com as instituições privadas, o presidente do Banco do Brasil destacou o fato de o risco médio das operações ser menor que as feitas pela média do sistema financeiro nacional, 6% contra 5,4%.

A provisão de inadimplência para operações vencidas a mais de 90 dias é superior a de outras instituições: de 221,9% contra 166,2% da média do sistema financeiro nacional. A provisão para créditos de liquidação duvidosa ficou em R$ 2,917 bilhões no primeiro semestre, valor 28,1% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.

Despesas

As despesas com pessoal tiveram uma expansão de 12,8% no semestre. Segundo Aldo Mendes, vice-presidente de Finanças, esse gasto cresceu mais devido ao programa de aposentadoria antecipada promovido pelo banco no primeiro semestre.

Quase sete mil funcionários deixarão a instituição até o final do ano por meio desse programa. A estimativa é que os gastos com pessoal sejam reduzidos em cerca de R$ 150 milhões por ano. Isso porque embora esteja planejado a contratação de novos funcionários, eles serão admitidos com salários mais baixos. A instituição finalizou o semestre com 79,3 mil funcionários.