Primeira condenação de um assessor próximo de Trump

Steve Bannon foi condenado hoje (22), por um júri em Washington, por dois desacatos contra a comissão do Congresso americano que investiga a invasão do Capitólio, ocorrida em 6 de janeiro de 2021.

Ele foi considerado culpado por se recusar a comparecer a um depoimento e a fornecer documentos requisitados pela comissão. Ele poderá ficar até dois anos preso e ser obrigado a pagar uma multa de até US$ 200 mil – a sentença final ainda não foi divulgada.

É a primeira condenação de um assessor próximo de Trump que ocorre como resultado da investigação sobre o ataque ao Capitólio. Bannon desempenhou papel importante na bem-sucedida campanha presidencial de Trump em 2016 e é um líder do movimento de extrema direita nos Estados Unidos.

Ele foi nomeado estrategista-chefe da Casa Branca em 2017, cargo que exerceu por alguns meses até ser demitido e romper com Trump. Depois, os dois se reaproximaram.

O que aconteceu durante o julgamento?
A defesa de Bannon tentou argumentar que ele havia se tornado avo de um ataque com motivação política por parte dos democratas. Evan Corcoran, um dos seus advogados, disse: “A pergunta é: ‘Por quê? Por que Steve Bannon foi escolhido?”. O Ministério Público rejeitou essa alegação e disse que o aliado de Trump tinha que ser responsabilizado por seu desacato à autoridade do Congresso e da comissão que investiga o ataque ao Capitólio.

A promotora Molly Gaston disse aos jurados que o ataque representava um “dia escuro” para os Estados Unidos, e acrescentou: “Não há nada de político em descobrir por que o 6 de janeiro ocorreu e garantir que isso não volte a acontecer.”

Os jurados precisaram de menos de três horas para chegar à decisão unânime.

O veredito contra Bannon é a primeira acusação bem-sucedida por desacato ao Congresso americano desde que G. Gordon Liddy foi condenado em 1974 por seu papel no escândalo Watergate, que levou à renúncia do ex-presidente Richard Nixon. Redaçâo com Reuters e AP