ELA com E.L.A. – Necessidade de andador e de cadeira de rodas

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Maria Lucia escreve todas as terças

Em 2014 comecei a sentir fraqueza e rigidez nas pernas. Achei por bem adquirir um andador de três rodas, para que eu tivesse mais segurança, até porque se eu caísse não teria o apoio dos braços, que já estavam bem debilitados.  Não resisti em usar andador, nem tive sentimentos diversos, como quando deixei de uilizar as mãos.

Por um tempo, lembro-me que ainda conseguia dirigir e quando saía sozinha, estacionava o carro, descia, me encostava na lateral e pedia para alguém que estivesse passando na rua que tirasse e abrisse meu andador, para que então eu pudesse me locomover. Logo em seguida, contratei uma cuidadora. Aí saíamos e ela passou a fazer isso, ajudando também a girar a chave, colocá-la e tirá-la da ignição, já que não tinha mais a força nas mãos.

Resolvi comprar uma cadeira de rodas reclinável e com apoio de cabeça, antes da necessidade de utilizá-la, já que sabia que uma hora ou outra eu iria precisar. A transição do andador para a cadeira foi indo aos poucos. Utilizava-a inicialmente para grandes distâncias, evitando fadigar. Depois de um ano usando andador, observei que eu estava perdendo o equilíbrio. Foi quando optei por usar direto a cadeira. Não me senti mal quando isso aconteceu. Eu já dependia de terceiros para tudo mesmo. E pensar que no início da doença eu achava que cadeira de rodas era o fim!

No começo eu ainda conseguia ficar em pé apoiada na parede até que me colocassem na cadeira. Com o passar do tempo isso foi ficando cada vez mais difícil. Hoje minhas pernas e meus pés não firmam mais, nem meu corpo consegue se manter na posição vertical, pois além de a cabeça pender para a frente, as costas ficam arcadas, já que não tenho força suficiente para sustentar meu corpo.

Importante é que nunca vi a cadeira de rodas como uma inimiga, mas sim como algo que veio para me propiciar conforto e segurança.


Maria Lucia Wood Saldanha
É nossa convidada de honra e assinará uma coluna semanal no site do jornal Diário Indústria & Comércio www.diarioinduscom.com.br que retratará e chamará a atenção para a realidade de pessoas que convivem com doenças, neste caso, terminal, além de servir como referência de dinamismo, fé, amor e exemplo de vida.

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