Dos Estados Unidos, o físico judeu Rudolf Ladenburg envia cartas à prima Agathe com notícias das pesquisas da equipe de Albert Einstein.

A soprano dá aulas de música na colônia e interpreta trechos de Madame Butterfly para a vaca Berenice, acreditando que a ópera é estímulo à produção de leite. Portinari presenteia os amigos de Rolândia com quatro óleos sobre tela. Estes são alguns dos episódios que coloriram a vida dos judeus refugiados em terras paranaenses nos anos 30 e 40 e que só agora vêm à luz.

São histórias de resistência e esperança garimpadas durante quatro anos, no Brasil e na Alemanha, pelo escritor e jornalista Lucius de Mello, que lança a obra “A Travessia da Terra Vermelha” (388 pág., R$ 45,00, editora Novo Século) amanhã (4 de setembro), às 19h, na Livrarias Curitiba Megastore do ParkShopping Barigüi, com entrada franca.

O livro conta a saga das famílias alemãs, judias e cristãs que fundaram a cidade de Rolândia, no interior do Paraná. Para escrever o romance o autor ouviu praticamente todos os descendentes diretos dos pioneiros no Brasil e na Alemanha.

Os textos falam das dificuldades que essa gente teve que enfrentar no meio do mato, as doenças, os insetos, os bichos, o preconceito, a falta de socorro médico, a saudade dos amigos e parentes que não conseguiram fugir e morreram nos campos de concentração.

Perfil

O autor Lucius de Mello é escritor, jornalista e pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo.

Foi finalista do Prêmio Jabuti 2003 na categoria melhor reportagem/biografia com o livro “Eny e o Grande Bordel Brasileiro” (editora Objetiva, 2002), obra que está sendo adaptada para o cinema e televisão. Também escreveu o livro “Um Violino para os Gatos” (editora Maltese, 1995).

Repórter da Rede Globo durante 14 anos, Lucius de Mello também chegou duas vezes à final do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo em 1997 e 1998.