A PRIMAVERA DOS VINHOS

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Sugestões de enogastronomia deste seu sommelier para a primavera.

Osvaldo Nascimento Juniors.:

Já estamos vivendo os primeiros momentos de mais uma primavera em nossas vidas. Após mais um inverno rigoroso na nossa musa gelada, Curitiba, a capital mais fria do país, que foi acompanhado de vinhos tintos mais encorpados para nos aquecer e ajudar a digerir os pratos mais consistentes da cozinha invernal, afinal o objetivo do vinho é equilibrar o palato com a comida. Para nós, discípulos de Dionísio e Baco, hora de começarmos a mudar para os vinhos menos encorpados que são servidos refrescados para acompanhar os dias de calor que virão, sugerindo pratos ligeiros como os brancos, compostos por uvas com uma acidez e frescor maior devido a falta de taninos como os tintos, pois fermentam sem a casca da uva. Qual seria o motivo então, do Beaujolais Noveau da uva Gamay, objeto de matéria aqui em nossa Coluna VINUM VITA EST, e abordado em nosso livro VINUM VITA EST – A HISTÓRIA VISTA PELO VINHO, o mais leve dos vinhos tintos, lançado sempre em novembro na Borgonha, França, uma sub-região da França, mais ao sul, após Lyon, sempre às terceiras quintas-feiras do mes de novembro à entrada do rigoroso inverno europeu, numa festa vínica que é mais festa do que qualidade de vinho (vide matéria em nosso livro), mostrando que é um vinho que pode ser tomado em qualquer época do ano, principalmente para acompanhar pratos leves, até pescados. O motivo para essa confusão toda é simples e quase óbvio. A lógica do início desta matéria faz sentido, o vinho é um produto natural, resultado da fermentação da uva. Não é fabricação; é elaboração, não se produz na quantidade que se quer nem quando se quer, nesse caso, a natureza se impõe sobre o homem, suas leis precedem as preferências do mercado. A estação do ano certamente influi na escolha da garrafa a ser aberta, mas antes disso, ela atua na dinâmica de produção de bebida. Tintos leves em geral agradam a muitos paladares, como é o caso das uvas Carmenére, leves, com menos taninos, onde o Chile é o grande produtor, bem como a Merlot, produzidas por quase todos os países do mundo vínico inclusive no Brasil, a Pinot Noir, originária da Borgonha bem como a , Tempranilo espanhola e a Cabernet Franc, mãe da Sauvignon. É época dos brancos, que se inicia nos dias mais quentes. Degustemos nosso vinho da primavera com alegria, tinto, branco ou rosé os astros da nova estação, além dos espumantes, a vocação brasileira em vinho, se adaptaram como uma luva ao clima tropical, podendo ser abertos a beira mar ou piscina o ano todo nesse país maravilhoso que produz vinhos premiados até do paralelo 8, Bahia e Pernambuco, Vale do São Francisco, com duas safras/ano. Celebremos a vida com um brinde à arte de viver, com uma descoberta a cada garrafa. Estas informações constituem as ironias e curiosidades que fazem da procura “a caça” aos vinhos um prazer quase tão grande quanto a degustação e às vezes o melhor da festa pode ser esperar por ela. EVOE. BRADO DE SAUDAÇÃO A BACO POR SEUS SÚDITOS. Lembre-se, “beber só o que se conhece é perder a chance de se surpreender”. Wine in moderation, Art de Vivre.

Osvaldo Nascimento Junior: Enófilo, Sommelier, Colunista e Palestrante de Vinhos.