A língua portuguesa no banco dos réus

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Os defensores do gênero a qualquer preço estão ávidos por fazer com que a língua portuguesa, inculta e bela, se adapte aos novos tempos. Isso pode vir até a ocorrer, mas não será na base do grito, do esperneio ou da imposição, como quis fazer o Colégio Franco-Brasileiro, do Rio de Janeiro, ao sugerir, em circular enviada a pais e professores, a adoção de neutralização da linguagem. Em vez de queridos alunos, por exemplo, seria adotado o “querides alunes” (ao estilo Mussum). Por óbvio, houve reação. Gramáticos não se cansam de afirmar que a letra “o” não é marca identificadora do gênero masculino em nossa língua. Fosse assim, o que seria das palavras reitor, bacharel, japonês, ateu, herói? É pela ausência de marca distintiva que o gênero neutro foi adotado. Porque se refere a todos. Ah sim, “todos” contêm a letra “o” e por isso é necessário dizer todas. Mas e quanto a pessoas, a ouvintes, a telespectadores, a plateia, a discentes? Eis a questão.

Tudo com X

Em sua coluna na “Veja”, o novelista Walcyr Carrasco criticou o “machismo na linguagem” e defendeu a substituição de todos e todas pelo impronunciável “todxs”. Bom, Carrasco já afirmou, em coluna anterior, que a expressão “lista negra” denotava racismo. Por isso deveria ser queimada em praça pública. Ou algo assim.

Caminho errado

Sem paciência com a militância linguística, Hélio Schwartsman, domingo na Folha, abordou o mesmo tema. E foi na direção contrária. Disse que essa é uma questão obtusa e o que se espera dos falantes em português é que primem pela abstração e não pela literalidade das palavras.

Menos recursos

Advogados ensaiam a dança da guerra contra a “PEC da Relevância”. O projeto encaminhado ao Senado pelo ministro do STJ, Humberto Martins, quer limitar o número de recursos especiais ao tribunal.

Muita paciência

A PEC já foi aprovada na Câmara dos Deputados em 2017. Desde então aguarda na fila a análise dos senadores.

Impeachment

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) passa ao bastão na presidência da Câmara, em fevereiro, deixando a seu sucessor 60 pedidos de impeachment contra Jair Bolsonaro na gaveta.

Em busca do cliente

Impedida de fazer propaganda nas redes sociais, a advocacia nacional está reivindicando novas regras de publicidade à OAB.

Páginas amareladas

A última vez que tratou do tema, em 2000, a entidade listava entre os meios lícitos de divulgação o anúncio do escritório em listas telefônicas. Priscas eras.

Adeus MP

O Ministério Público do Paraná recebeu, na semana passada, cinco pedidos de exoneração encaminhadas por promotores. Alguns deles se preparam para encarar novos desafios na advocacia privada.

Novo autor na praça

Advogado, jornalista e vice-reitor da Uninter, Jorge Bernardi está lançando o livro “O Pantopolista – A vida em múltiplas dimensões” pela Amazon. É sua estreia na literatura.

 

DIREITO EM PAUTA – 13 de janeiro de 2021 / MARCUS GOMES – marcusgomes@gmail.com