Esse imbróglio em que jogaram o prefeito Beto Richa em torno da sogra-fantasma precipita o debate sobre a sucessão em Curitiba.

Ayrton Baptista

 CURITIBA – Esse imbróglio em que jogaram o prefeito Beto Richa em torno da sogra-fantasma precipita o debate sobre a sucessão em Curitiba. Trata-se, disparado, do maior colégio eleitoral do Estado, com força por toda a região metropolitana e além. Richa até há alguns dias era franco favorito, assim meio que dono, já, da metade do eleitorado. Reeleição à vista. Um fato como esse da sogra, pode abalar o seu prestígio. Por muito menos já se afetou carreiras e eleições diversas. Pode ter sido uma artimanha. Mais parece um flagrante do batom na cueca. Ao menos do genro demissionário. Não há meio-termo, não se pode achar explicação. Ou rebate na hora ou tchau, já era.

O que se vê, agora, então, em termos de política propriamente dita? Em termos eleitorais, em campanha? É de se louvar, pelo menos até este momento, a maneira como o assunto foi tratado pelos adversários ou possíveis candidatos contra Beto Richa. Nenhuma insinuação. Da possível candidata do PT, Geisi Hoffman, ao reitor que o PMDB quer emplacar. Possivelmente, tenham entendido que Richa não merecia o constrangimento de ser chamado à fala. Mas, se não os citados, outros poderão reviver o episódio nos próximos meses.

A provável candidata do partido de Lula não pára. Bate ponto diariamente em território que lhe possa ser simpático. Ou no primeiro ou num possível segundo turno. Gleisi parece não crer muito nas possibilidades do professor Carlos Moreira. Mas, acreditando que irá para o turno final, procura tratar muito bem o reitor que Requião quer ver no posto que já foi seu.

É a disputa pela jóia da coroa. Que promete bons lances doravante.

BILHETE ABERTO

Aos senadores Álvaro Dias, Osmar Dias, Flávio Arns. Senhores Senadores representantes do Estado do Paraná. Os jornais do eixo Rio-São Paulo-Brasília dão conta de que os integrantes do Senado, já chegaram a um acordo para salvar o presidente Renan Calheiros. Em que pese os três processos que correm no Conselho de Ética, tudo já estaria acertado. Renan seria absolvido no plenário, com o voto secreto. Depois, em uma atitude heróica, renunciaria à Presidência.

Então, Senadores do Paraná, não permitam que tal aconteça. O sr. Renan Calheiros os senhores conhecem bem. Talvez desde o tempo em que esteve com outros amigos, na China, e lá lançou a candidatura Fernando Collor à Presidência da República. Depois, como se sabe, ministro de Fernando Henrique e vem a ser, hoje, o xodó do atual presidente. Vence a queda de braço com uma raposa, José Sarney, firma-se como presidente da Alta Corte, para cuja chefia foi reeleito recentemente. 

É possível, que tal especulação se concretize. Mas, convenhamos, não com os votos do Paraná. Não há voto secreto que fique intramuros. Por isso, não duvidando da posição de Vossas Execelência, formula-se o apelo no sentido de influir para um desfecho honesto para essa barbaridade que paira sobre o Senado.

Os paranaenses culpam muito a bancada federal do nosso Estado. Com ou sem razão. Pois, esta é um oportunidade de se lavrar um termo de união com o desejo de todos nós. Sem cor partidária.

Ayrton Baptista, jornalista.