"As alterações da forma e fuções da face são mais comuns do que se imagina e começam a ser observadas desde a infância"

O processo normal de crescimento e desenvolvimento de uma criança está diretamente ligado – além de sua saúde geral – à realização das funções corporais de forma correta. Este princípio pediátrico geral é, também, aplicado, à face infantil, cujo biotipo (tipo constitucional herdado dos pais) se estabelece em idade muito precoce e pode ser deformado (lenta e gradativamente) por funções inadequadas, tais como a respiração incorreta, a mastigação viciosa, a forma  alterada de engolir (deglutir), a força muscular exagerada que gera o apertamento dos dentes entre si (inferiores contra superiores), etc. etc.

A Ortopedia Facial e a Ortodontia Pediátrica são especialidades que tratam crianças – intervindo precocemente, já a partir dos 3 anos de idade (se já houver colaboração nas consultas) – com relação às deformidades progressivas, normalmente mais expressivas na região dentofacial (rosto-boca). Estas alterações da forma e funções da face costumam se instalar na criança de forma lenta e progressiva. Nunca é – salvo em casos acidentais – algo que aconteça da noite para o dia ou vice versa. Normalmente estas alterações – chamadas de anomalias dentofaciais (nas quais o crescimento ósseo, a ação da musculatura e a posição dos dentes são importantes) – podem começar a deformar o rosto infantil desde tenra idade, prologando-se por todo o período de pré e trans-adolescência, perpetuando-se para a idade adulta, com todos os agravos estéticos e funcionais disto resultante.

As denominadas "alterações ortopédicas faciais" (muitas vezes conhecidas erronea e genericamente apenas como problemas ortodônticos, embora nem sempre estejam restritas única e exclusivamente aos dentes em si) manifestam-se nas crianças através do desequilíbrio do relacionamento músculo-esquelético. 

Este desequilíbrio funcional é, na maioria das vezes, gerado (mas não unicamente, pois há exceções) pela presença de inadequações respiratórias (respiração bucal, de suplência) que,  na maioria das vezes (mas também não somente) est]ão relacionadas a questões de ordem alérgica de vias aéreas superiores, das quais a mais conhecida é a rinite. Esta pode – na criança, principalmente – estar também associada à presença das adenóides (uma espécie de "carne esponjosa" que cresce na faringe, bem em frente às saídas posteriores das narinas) e/ou às amigdalas (tonsilas como são atualmente conhecidas) palatinas, aquelas massas volumosas, de ambos os lados da garganta, que se vê ao abrir bem a boca.

Isto equivale a dizer que as crianças portadoras de doenças com quadros alérgicos de vias aéreas superiores  – que respiram pela boca – são sempre mais suscetíveis a sofrer de um processo progressivo de deformidade facial, que é – sempre – visível e observável na região chamada de dentofacial (a parte do rosto que contém a boca e seus conteúdos). Estas crianças, que normalmente respiram pela boca e não pelo nariz (como seria normal) tem, como resultado final de crescimento, uma alteração de toda a função deglutitória, fonatória e mastigatória. Isto influi de forma decisiva para tirar o rosto de seu padrão de crescimento e desenvolvimento normal. Desta forma as alterações funcionais e morfológicas se instalam e progridem na condução de uma face que perde a beleza, a harmonia e a expressividade.

Se seu filho ou filha apresenta algum dos sinais e sintomas acima descritos, isto deve ser motivo suficiente para você procurar um especialista de sua confiança para –  após diagnosticada a presença de um quadro clínico desfavorável –  tratar o mais precocemente possível.

Desta atitude dependerá não só a beleza do rosto, do sorriso, da fala e da expressão facial, mas também todo um processo de melhoria da auto-imagem que, de forma direta, está ligada ao bem-estar e à qualidade de vida da criança.